O palanque rouba a cena
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de abril de 1998
Antônio Mariano Júnior 
Milton DóriaNitis Jacon: Estarei atuando no sentido de uma política cultural que não existe, de uma política acadêmica que é precária, de uma política científica que se arrasta interminavelmente...A Assembléia Legislativa do Paraná pode ganhar, na próxima legislatura, uma deputada determinada e, sobretudo, boa de briga. Ainda mais se for para defender, conforme sua plataforma eleitoral, interesses principalmente nas área educacional, de saúde e, obviamente, cultural. Nitis Jacon. Sim, a diretora de teatro, vice-reitora, intelectual, autora, médica e professora foi convidada - e aceitou, segundo ela depois de muita reflexão - a lançar seu nome na convenção do PSDB que acontece em junho. Mas é quase certo, para não dizer certo como dois mais dois são quatro, que Nitis será candidata a deputada.
Ela diz não ter ainda cifras de quanto gastará na campanha. Será feita com recursos próprios e dos amigos. Portanto, será uma candidatura muito pobre- afirma. Ou seja, vai contar sobretudo com a prestigiada grife Nitis Jacon. Que, inevitavelmente, está mais associada à cultura, ao teatro. Sendo assim, o Festival Internacional de Londrina, da qual é diretoria artística, pela lógica acaba se transformando num grande palanque.
Aliás, falando em Filo, o evento acaba de ganhar o aval de outra mulher boa de briga e que, coincidentemente, também se embrenhou na carreira política: Ruth Escobar. A atriz e empresária, em recente entrevista a Marília Gabriela, disse que vai realizar neste ano a última edição do Festival de Artes Cênicas. Depois vai-se embora de mala e cuia para os EUA e, consequentemente, caberá ao Filo preencher essa lacuna cultural.
A seguir, os principais trechos da entrevista que Nitis Jacon concedeu à Folha2 em que fala da candidatura, do Filo e também do prometido Teatro Municipal de Londrina.
Por que e pra que você está postulando uma vaga na Assembléia Legislativa?
Nitis Jacon - Primeiro eu vou frisar que foi uma decisão bastante refletida. Não foi uma decisão intempestiva, absolutamente. Nessa idade, depois de tantas coisas que tenho feito, isso não representa uma mudança de direção. Embora eu não tenha militado propriamente na política partidária, a minha ação sempre foi política tanto na educação, quanto na cultura e na medicina. Fui secretária de saúde de Arapongas quando o Abelardo (Abelardo Moreira, marido de Nitis) foi prefeito. E em todas essas áreas minha ação sempre foi política. Então eu sou uma mulher que atua politicamente em tudo o que faço.
Nos bastidores, até então...
Nitis Jacon - É, nos bastidores e até flagrantemente na medida em que não foi uma política partidária, foi sempre uma ação política. O homem é um ser político e na medida em que se associa ele age politicamente. Ele, às vezes, pode não ter essa intenção e pode estar fazendo uma ação política negativa ou no sentido contrário. Eu não. Eu sempre tive consciência que todas as ações são políticas. Mas do ponto de vista da política partidária eu nunca entrei, embora tenha sempre atuado nas campanhas. Ajudei a eleger muita gente a nível municipal, estadual e federal. Agora tenho refletido muito. Todos os projetos em me empenho na área de saúde, na área da cultura, da educação e na área da mulher, nas questões de gêneros, a gente sente... Chega-se à conclusão de que se não se desfrutar de uma espaço político específico no poder executivo ou legislativo as coisas sempre ficam mais difíceis. E a gente fica naquela situação... as palavras não são minhas, mas são muito boas. A Ruth Escobar é quem diz que cansou de rodar a bolsinha para poder fazer o festival dela. E é verdade. A gente fica passando pires ano após ano.


