O pajé da música brasileira
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segunda-feira, 10 de março de 1997
Da Editoria 
Arquivo FolhaHeitor Villa-Lobos: o maior compositor brasileiro e um dos maiores do século 20O músico Aldo Morais faz hoje uma audição didática sobre o compositor Heitor Villa-Lobos, no Espaço Free Music (Rua Hugo Cabral, 727). Ele vai abordar aspectos da obra do compositor que podem ser agrupados em fases - erudita, moderna, experimental, nacionalista e, principalmente, folclórica, que causou mais impacto. Tudo através de gravações. A entrada é franca.
Villa-Lobos é considerado o maior compositor brasileiro e um dos maiores do século 20. Atento aos chamados movimentos vanguardistas na Europa pós-Primeira Guerra Mundial, ele não hesitou em se unir aos artistas e intelectuais brasileiros que resolveram movimentar o panorama cultural do Brasil. A Semana de 22 é o grande exemplo.
No Brasil, a princípio, sua musicalidade não suscitou elogiosas críticas. Na sua primeira apresentação, em 13 de novembro de 1915 (ele tinha então 28 anos), no Salão do Jornal do Commercio, no Rio de Janeiro, o crítico Oscar Guanabarino publicou, no dia seguinte, uma avaliação impiedosa do trabalho de Villa-Lobos. Numa outra apresentação, em 1922, no Teatro Municipal, a platéia o ridicularizou, vaiando sua perfomance.
NacionalismoMas o compositor não desanimou. Foi a Paris e lá arrancou sucessivos elogios. De volta ao Brasil, Villa-Lobos passou a inserir mais fortemente elementos brasileiros (toadas, maracatus, cirandas, entre outros) à sua música, frutos de suas andanças pelo interior do País. Nas três grandes viagens pelo Brasil afora, ele retornou com várias anotações em partituras que mais tarde seriam convertidas em músicas.
Entre 1927 e 1930, o compositor retornou a Paris. De volta ao Brasil, assumiu a direção da Educação Musical e Artística no Rio de Janeiro, instituiu o ensino obrigatório de Música e Canto Orfeônico, criou o Orfeão dos Professores e compôs o Guia Prático para Coros Escolares.
O período entre 1945 e 1959 foi o mais rico de sua carreira. Viajou inúmeras vezes pelas Américas e Europa, compôs incansavelmente, dirigiu concertos e gravou discos com grande parte de sua obra - ele teria deixado cerca de 2 mil peças, principalmente para violão, piano, quarteto de cordas, voz e orquestra sinfônica. Além de ser o grande fundador do nacionalismo, Villa-Lobos é muito importante para a música deste século porque era, além de tudo, um músico intuitivo e experimentalista- afirma Aldo Morais.


