O PAÍS TRADUZIDO EM IMAGEM
Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
A exposição fotográfica que abre amanhã no Museu da Imagem e do Som, tem um significado especial nos registros da natureza ali posta em sua exuberância, acolhendo vertigens de cores, sombras e claridades, plumagens e couros dos habitantes das matas, flagrantes subaquáticos, cavernas destinadas à eterna escuridão, de certa forma explica e sintetiza a carreira do fotógrafo Zig Kock.
Somando-se os dez anos que passou direcionando as lentes ainda como amador, e os outros 15 como profissional, já se vai um quarto de século dedicado à captação das imagens. O museu aproveita o evento para lançar o Caderno do MIS nº 22 Zig Koch Fotógrafo, produzido pelas pesquisadoras Walquíria Renk e Rita de Cássia Bezerra.
No apanhado de 49 fotos, escolhidas num acervo de 50 mil cromos, tenta-se mostrar a amplitude do cenário natural brasileiro. Ao tema une-se também o tratamento da tecnologia digital que preserva a qualidade das películas e ainda corrige defeitos como manchas e rasuras nos filmes. Para chegar aos painéis do museu, as fotos na sua maioria em cromos de 35 mm foram digitalizadas e receberam tratamento de imagem nos laboratórios da Ibiza, empresa que apóia o evento.
A publicação que traz a trajetória de Zig Koch identificou raízes de sua arte no gosto da própria família. Seus avós maternos, Ricardo e Emma Koch, e a mãe Tereza são artistas plásticos. A essa tendência de cores e formas, adicionou-se o gosto do pai pelas viagens e aventuras. Antonio Stenghel Cavalcanti foi comandante aviador.
Hoje, aos 74 anos de idade, é um dos pilotos mais antigos em atividade no Brasil. Esses traços sanguíneos fizeram de Zig um fotógrafo que se dependura em árvores, muitas vezes durante semanas, sob sol e chuva, para conseguir flagrantes raros, alguns deles inéditos em todo o mundo. Como aconteceu com o registro do mico-leão-da-cara-preta, na natureza, que saiu publicado na imprensa de todo o planeta.
Uma das fotos da exposição mostra o interior de uma caverna. Para explorá-la é preciso descer um precipício como se fosse uma garganta de 30 metros. Se a corda arrebentasse a gente ficava lá, diz tranquilo. Vasculhando a Serra do Amolar, chegou a um pantanal desconhecido para a maioria dos mortais, que divide um espaço não tão extenso com uma região de cerrado. Ali a flora e a fauna convivem em mundos diferentes, embora muito próximos. Também há registro do local na mostra preparada no MIS.
Zig Koch Exposição de fotos sobre flora, fauna e turismo que abre amanhã, às 19 horas, no Museu da Imagem e do Som (Rua Barão do Rio Branco, 395, fone 41 323-5382). Será lançado o Caderno do MIS nº 22 sobre o fotógrafo especializado em registros da natureza. A mostra permanece até o dia 13.O fotógrafo Zig Koch exibe no MIS, em Curitiba, sua percepção dos elementos da natureza brasileira
Zig KochGarça branca grandeZig KochMico-leão-de-cara-pretaZig KochPeixe-boi marinhoZig KochRio do Peixe, em Bonito (MS)Zig KochSerra do Amolar, no Pantanal (MS)Zig KochTropeiro Véio Bia





