Há oito anos, Lázaro Ramos deixou Salvador para conquistar o Brasil. Com a missão cumprida, ele volta à sua terra natal para gravar a minissérie ''Ó Paí, Ó'', uma versão para a TV do filme homônimo que estreou nos cinemas no ano passado. Na atração, que estréia em setembro e terá seis episódios, o ator dará vida a Roque, um artista boa-pinta que vive aventuras divertidas em um cortiço do Pelourinho. ''Ele é um cara sonhador, romântico e comprometido politicamente com a sua comunidade'', diz Lázaro.
A descrição pode até fazer lembrar o Evilásio de ''Duas Caras'' (Globo), mas há diferenças substanciais. ''Roque tem humor'', afirma o ator. E não é só isso. Na nova série da emissora, Lázaro aparece sem camisa, rebolando com sensualidade e cantando. Sim. Agora ele canta.
Assim como o filme, a minissérie é centrada na figura de Roque, mas a nova história não é uma sequência do longa, que narrava aventuras de alguns moradores de um cortiço no Pelourinho. Na versão para a TV, cada episódio terá começo, meio e fim. ''Usamos o mesmo universo, personagens, lugares e atmosfera. O filme era um mosaico, no qual as histórias não se fechavam'', diz a diretora (do filme e da minissérie) Monique Gardenberg.
Além dela, Mauro Lima (de ''Meu Nome Não É Johnny''), Carolina Jabor (''O Mistério do Samba'') e Olívia Guimarães dirigem Lázaro, que contracena com os antigos companheiros da companhia Bando de Teatro Olodum. ''É muito emocionante para mim ver amigos que eu sei que são muito talentosos tendo a chance de mostrar seu trabalho.''
Também estão no elenco Stênio Garcia e Matheus Nachtergaele, que entrou no lugar de Wagner Moura - que recusou o convite para se dedicar ao espetáculo ''Hamlet''. ''A substituição foi muito bem-vinda. Ele é sensacional e construiu um tipo bem interessante, acho que esse personagem vai pegar como o João Grilo de 'O Auto da Compadecida'. Eu fiz umas cenas com ele tão engraçadas que não conseguia parar de rir.''
Na história, Nachtergaele será o amalucado vilão Queixão. Preta Gil, Nanda Costa, João Miguel e Virgínia Cavendish farão participações.
Há mais de um mês em Salvador, Lázaro, que mora no Rio, preferiu alugar um apartamento para não ''incomodar'' familiares e amigos. ''Como passo muito tempo decorando textos, cantando e ensaiando, não quero atrapalhar ninguém'', diz.
Dedicando 12 horas do seu dia (ele só não grava aos domingos), não tem tido tempo de visitar familiares, encontrar amigos ou ir à praia. ''As gravações estão bem puxadas'', conta o ator, que está solteiro depois do fim do casamento com a atriz Taís Araújo.
Quando tem uma brecha para passear, o clima é da camaradagem. Segundo Lázaro, o assédio nas ruas é grande e traz uma sensação de estar entre amigos. ''Muita gente grita para mim, elogia. 'Ó Paí, Ó' é muito querido na Bahia.''

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