O Paciente Inglês triunfa na noite do Oscar
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terça-feira, 25 de março de 1997
France Presse 
Timothy A. Clark/France PresseGeofrey Rush, melhor ator
LOS ANGELES - O Paciente Inglês, uma apaixonada história de amor vivida durante a Segunda Guerra Mundial, foi a grande vencedora da 69ª edição do Oscar, com nove estatuetas, entre elas a de melhor filme e melhor diretor.
O esplêndido resultado obtido pela adaptação do romance homônimo de Michael Ondaatje o converte, além disso, num dos cinco filmes mais premiados da história dos Oscars, depois de Ben-Hur, que ganhou 11 estatuetas em 1960, Amor, Sublime Amor (10, em 1962), e, empatado, Gigi (1958) e O Último Imperador (1988).
Das 12 categorias para as quais estava indicado, O Paciente Inglês só perdeu as de melhor ator, atriz e roteiro adaptado, mas venceu em todas as outras: filme, diretor, atriz coadjuvante, fotografia, direção artística, som, trilha sonora original de filme dramático, montagem e figurino.
Depois de uma primeira etapa, na qual o filme dirigido por Anthony Minghella levou sete estatuetas, Billy Bob Thornton foi o encarregado de causar-lhe a primeira decepção. O ator americano subiu ao palco para levar o Oscar de melhor roteiro adaptado por seu trabalho em Sling Blade, onde, além de assumir o papel principal, estreou como diretor.
Timothy A. Clark/France PresseFrances McDormand, melhor atriz
Depois seguiram-se as categorias de melhor atriz, na qual Kristin Scott Thomas teve de ceder ante Frances McDormand, a astuta policial grávida Fargo, comédia macabra dos irmãos Joel e Ethan Coen, que também ganhou o Oscar de melhor roteiro original.
Deficientes Ralph Fiennes, indicado pela segunda vez para Oscar, saiu novamente com as mãos abanando depois da vitória do australiano Geoffrey Rush (Shine - Brilhante), premiado por sua interpretação de um pianista que, apesar de padecer de uma doença mental, vence com seu talento.
Nos oito anos anteriores, sete atores premiados com a estatueta dourada encarnavam personagens com problemas físicos e mentais. Esta edição, em que quatro dos cinco indicados cumpriam com o requisito, não podia ser exceção.
Pouco depois, Minghella, filho de italianos emigrados para a Inglaterra, voltou a colocar as coisas no lugar ao levar o Oscar de melhor diretor.
Ao final, restava apenas o Oscar mais esperado da noite, o que recompensa o melhor longa-metragem de 1996. Apesar de O Paciente Inglês ter muitas possibilidades de ser a escolhida, alguns ainda se perguntavam se os eleitores da Academia das Artes e Ciências Cinematográficas não teriam votado finalmente em Jerry Maguire, a produção de um grande estúdio hollywoodiano.
France PresseMadonna canta na festa do Oscar
Mas isso não aconteceu e o Oscar em questão foi para O Paciente Inglês, o filme produzido pela Miramax, uma filial do grupo Walt Disney, depois de ter sido rejeitada pelos grandes estúdios porque o diretor não queria trocar a atriz Kristin Scott Thomas por Demi Moore.
Surpresa Uma das maiores surpresas da noite foi a entrega do Oscar de melhor atriz coadjuvante para a francesa Juliette Binoche. Apesar de seu papel de enfermeira canadense em O Paciente Inglês também merecer um prêmio, a Academia voltou a relegar a veterana Lauren Bacall ao esquecimento, depois de meia vida dedicada ao cinema ela recebeu este ano sua primeira indicação.
Em compensação, foram confirmadas as previsões na categoria de melhor ator coadjuvante, na qual Cuba Gooding Junior obteve o primeiro Oscar da noite por seu papel em Jerry Maguire. O protagonista, Tom Cruise, vai ter de esperar um pouco mais para ganhar sua primeira estátua.
France PresseO diretor Anthony Minghella e o produtor Saul Zaents, de O Paciente Inglês
Também estava previsto que o curta-metragem de ficção americano Dear Diary, um programa piloto para a televisão que custou um milhão de dólares, superaria as duas únicas produções hispânicas que aspiravam um Oscar este ano: Das Tripas Coração, do mexicano Antonio Urrutia, e Esposados, do espanhol Juan Carlos Fresnadillo.
Kolya, a história de um violoncelista de Praga que toma conta de um menino de seis anos durante a revolução democrática de 1989, levou a estátua de melhor filme estrangeiro para a República Tcheca.
E Evita, um dos grandes esquecidos este ano, consolou-se com o Oscar de melhor canção, You Must Love me, brilhantemente interpretada por Madonna em sua primeira atuação desde que deu a luz a Lourdes Maria, em outubro passado.


