Pretender entender os critérios de Hollywood, principalmente em relação aos prêmios que se auto-outorga, na festa feérica do Oscar, é, talvez, tão difícil quanto decifrar os enigmas da Esfinge. Um ano escolhe um épico, do estilo ‘‘Ben Hur’’, no outro fica com uma história muito pessoal, como ‘‘Forrest Gump’’. Vai de ‘‘Coração Selvagem’’ a ‘‘Filadélfia’’ sem nenhum problema e elege ‘‘Titanic’’ com a mesma ênfase que deu a ‘‘...E o Vento Levou’’.
No meio disto tudo, se encontra ‘‘O Paciente Inglês’’ premiado com nove Oscars, inclusive o de melhor filme. Igual a ‘‘Titanic’’, acabou não dando prêmios aos protagonistas, o que em certo sentido também causa surpresas. No caso da megaprodução sobre o trágico destino do transatlântico britânico, é possível entender: ‘‘Titanic’’ não é um filme de atores, o personagem é o navio. Mas ‘‘O Paciente Inglês’’ é um romance, na verdade um autêntico melodrama. Se era o melhor do ano, os principais atores deveriam ser premiados. Não foram. Quem entende?
De qualquer modo, para quem viu e quer rever ou para quem não assistiu e pretende conferir, ‘‘O Paciente Inglês’’ estréia hoje na TV a cabo (HBO, a partir das 20h30). Carregando o prestígio dos nove Oscars, o drama pode agradar a quem aprecie o estilo bem romanceado que envolve um desconhecido, gravemente ferido na guerra, uma enfermeira muito traumatizada pela morte do namorado e da melhor amiga, num enredo até previsível mas que continua a fazer sucesso. São quase três horas de filme (são 162 minutos), com muitos flashbacks e, conforme os entendidos, interpretações muito boas dos protagonistas. Um romance que se sustenta na emoção e que é recomendável a quem aprecie o estilo.

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