ReproduçãoSylvia Plath se matou aos 30 anos, em 1963Amado e odiado, chamado de gênio pelos críticos e de assassino pelos leitores, o poeta inglês Ted Hughes, 67, está fazendo as pazes com seu passado após 35 anos. Hughes está lançando no Reino Unido o livro ‘‘Birthday Letters’’ (Cartas de Aniversário) (editora Faber & Faber) reunião de 88 poemas sobre sua ex-mulher, a poeta Sylvia Plath, que se matou em 1963 aos 30 anos. O poeta também prometeu liberar para publicação, no próximo ano, os famosos diários de Plath.
‘‘Birthday Letters’’ é, na opinião da crítica britânica, uma das obras mais marcantes da segunda metade do século. Hughes, tido como homem frio e misterioso no seu relacionamento com Plath, passou quase 35 anos escrevendo poemas onde derrama com intensa paixão a amarga perda da mulher.
As 88 peças eram conhecidas apenas por um pequeno círculo de amigos de Hughes, que não imaginavam que um dia a veriam publicadas. Ele entregou os originais sem qualquer aviso prévio aos editores da Faber & Faber, que ficaram atônitos. O livro permaneceu em segredo até o último sábado, quando o jornal ‘‘The Times’’ publicou trechos em primeira mão. ‘‘Ler esses poemas é como ser atingido por um raio’’, disse o poeta Andrew Motion, amigo de Hughes, no ‘‘The Independent’’. ‘‘É um livro escrito por um homem obcecado, ferido e profundamente apaixonado.’’ ‘‘Os poemas ofuscam na escuridão e não são uma resposta aos críticos ou apelos para o entendimento, mas sim sensíveis atos de recordação’’, disse Nicci Gerrard, crítico do ‘‘The Observer’’.
Dor O relacionamento de Hughes e Plath foi uma das mais trágicas histórias de amor da literatura recente. Talentosa e perturbada, a norte-americana Plath já havia tentado o suicídio outras vezes antes de conhecer Hughes, em Cambridge, em 1956. Os dois viajaram pelos Estados Unidos e voltaram à Inglaterra em 1959. No caminho, o trabalho dele era colocado entre os melhores do século, ao lado de William Blake, John Keats e W.H. Auden. Já Plath, com uma sofrida introspecção, dava as mãos involuntariamente ao crescente movimento feminista.
Em fevereiro de 63, Plath colocou os dois filhos do casal para dormir, ligou o gás do forno e ali colocou sua cabeça até morrer asfixiada. Hughes a havia deixado quatro meses antes por outra mulher, que, anos depois de se casar com Hughes, também se matou.
Os filhos do casal, Frieda e Nicholas, não fazem comentários sobre a relação dos pais. Numa entrevista recente a um jornal inglês, Frieda, 34, artista plástica, disse sempre ter vivido à sombra do suicídio da mãe. ‘‘Eu rejeitei a chance de estudar o trabalho de meu pai para exames de escola. Era muito próximo de minha casa.’’
Mas o fantasma perseguiu mais duramente o poeta Hughes. Durante os anos 70 e 80, quando o trabalho de Plath começou a ser visto como precursor do feminismo, uma onda de ódio atingiu o poeta. Dos Estados Unidos, acadêmicos e universitários passaram a enviar centenas de cartas a Hughes, chamando-o de assassino. Na época, ele impediu a publicação dos diários de Plath - o que fez com que seus inimigos ficassem ainda mais certos de que Hughes era responsável pela morte dela, e que os diários traziam detalhes reveladores.
Segundo o ‘‘The Observer’’, os diários, conhecidos informalmente como ‘‘The Journals’’, absolvem Hughes de qualquer culpa sobre o suicídio de Plath. Por mais de três décadas, Ted Hughes aguentou tudo em silêncio. Sua resposta, demorada como convinha, parece destinada a calar seus detratores.

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