No poema ''Viagem no espelho'', que abre o livro ''Trabalhadores do Algodão'', Helena Kolody conclui que as lembranças fazem a gente sentir saudade de nós mesmos.
Os catadores de algodão entrevistados pelos estudantes também colheram esse sentimento, mas semearam entre os alunos frutos que vêm com o conhecimento.
''Para esses trabalhadores, apesar da vida difícil, aquela época representou um tempo bom e de companheirismo. Poucos depoimentos revelam alguns conflitos. Ao contrário, a maioria considerava esse tempo muito bom porque tinha trabalho. Para esses trabalhadores, a falta de trabalho significa um tempo ruim'', comentou a professora Edná de Souza Gaspar.
Relatos que não fazem parte da história oficial de Assaí, contada sempre através dos olhos amendoados dos imigrantes japoneses, esquecendo a contribuição dos nordestinos e mineiros que escreveram as suas páginas nas lavouras de algodão.
Ao comparar os livros didáticos com os relatos, os alunos descobriram que muitas pessoas que conhecem ajudaram a construir história na região.
''Muitos estudantes disseram conhecer pessoas de algumas fotos e, ao compararem com os livros didáticos, perceberam que existem várias visões diferentes da mesma história. A versão que estamos dando é a visão dos trabalhadores rurais'', apontou Edná.
Os depoimentos dos catadores de algodão foram usados pelos professores de Português nas aulas de interpretação e produção de texto.
''O que chamou a minha atenção foi o jeito que esses trabalhadores viviam. Eles moravam em casas simples de palmito. Não tinha muita diferença entre patrões e empregados. Também achei interessante a maneira de falar dos catadores. Não digo que era errado, mas é ao modo deles'', afirmou a estudante Cíntia Mara Volpato Cedran, 13 anos.
Numa equação entre as histórias e a linguagem, o produto final também revelou o talento dos estudantes. Sob a orientação da professora Maria Teruko de Oliveira, eles produziram em sala de aula um haikai em que o catador de algodão se torna uma cantiga de recordar, fazendo qualquer um sentir saudade de si já que, de alguma forma, todos nós temos alguma ligação com o meio rural. ®MDNM¯(F.L.)

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