Há 50 anos, Londrina ganhava o maior e mais luxuoso cinema do interior do Brasil. Em 24 de dezembro de 1952 era inaugurado o Cine Ouro Verde, uma sala com 1,5 mil lugares construída pelo arquiteto Villanova Artigas. Cinquenta anos depois, o Ouro Verde é reinaugurado após restauração realizada pelo programa ''Velho Cinema Novo'' da Secretaria de Estado da Cultura. Mas dessa vez, o cinema vai ter de esperar.
Tombado pelo Patrimônio Histórico do Paraná, o Ouro Verde será reaberto hoje, sem os projetores de cinema e sem a tela. A atração da noite será um concerto com o violoncelista Antonio Lauro Del Claro e a soprano Déborah Oliveira, com participação da pianista Irina Ratcheva. No programa, obras de Massenet, Tchaikovski, Joachin Nin e Brahms. A reinauguração será às 20 horas e deverá ter a presença do governador Jaime Lerner, da secretária de Estado da Cultura, Mônica Rischibieter, do Secretário da Cultura de Londrina, Bernardo Pellegrini, e da reitora da Universidade Estadual de Londrina, Lygia Pupatto, entre outros.
O projeto Velho Cinema Novo, financiado pelo Programa de Valorização Cultura, integra o Paraná Urbano, desenvolvido pelo Governo do Estado, em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O projeto previu a recuperação de 13 antigas salas de cinema em cidades do interior do Estado. Em Londrina, a reforma foi orçada em R$ 3 milhões. A empresa responsável pela execução das obras é a Construtora e Incorporadora Squadro, de Quatro Barras (região metropolitana de Curitiba). A empresa Telem (São Paulo) ficou com a parte de cenotécnica. O projeto é do arquiteto e professor da UEL Humberto Yamaki.
Depois de seis meses de reforma, o Cine Teatro ganhou isolamento acústico, palco ''flutuante'' (dotado de sistema de amortecimento) e maior (280 metros quadrados), elevadores para portadores de necessidades especiais e espaço para um cyber café (que ainda não deverá estar aberto ao público). Além disso, finalmente o Ouro Verde terá camarins decentes foram construídos seis novos espaços, dois deles coletivos, e quatro banheiros, distribuídos em dois pisos (superior e térreo).
Novas poltronas na cor verde escuro (totalizando 843 assentos 40 menos que anteriormente), passarelas em amarelo ouro e cortina azul resgatam o aspecto e as cores originais da sala. A reforma incluiu serviço de restauro das pastilhas das paredes externas, aerofusos, luminárias, lambris, corrimãos, sinalizadores internos e letreiro da fachada.
Segundo o engenheiro responsável pela obra, Jefferson Alarcão, toda a instalação elétrica e hidráulica e o sistema de ar condicionado foram trocados. A sala ganhou ainda um sistema de alarme para detecção de incêndio. Na parte de equipamentos, o Ouro Verde agora tem mesas de som e iluminação (150 refletores) de última geração.
Apesar de todas as melhorias no espaço, o Ouro Verde por enquanto não poderá ser chamado de cinema. A secretária Mônica Rischibieter argumenta que a licitação para a compra dos 13 equipamentos multimídia (US$ 150 mil cada um) e das telas retráteis está pronta e que os recursos vindos do BID estão disponíveis. Para Kennedy Piau, diretor da Casa de Cultura da UEL (responsável pelo Ouro Verde), esse equipamento não é o ideal para a sala londrinense. ''A política de exibição de filmes do Ouro Verde requer projetores de 35 milímetros. O governo, oficialmente, divulgou ter pedido esse projetor, mas com a disparada do dólar a opção foram os digitais''.
O chefe da Divisão de Cinema e Vídeo da Casa de Cultura, Carlos Eduardo Lourenço Jorge, está indignado com a história. ''Querem colocar um equipamento multimídia, não adequado para o espaço, que precisa de projetores profissionais. A finalidade do Ouro Verde não é exibir vídeo nem DVD. Nossos fornecedores trabalham com filmes em 35 mm''.
Carlos Eduardo enfatiza ainda que o Ouro Verde participou do programa ''Velho Cinema Velho''. ''Ficamos com o desmanche da parte de exibição cinematográfica. Os projetores antigos estão desmontados no chão. Eles foram usados por 50 anos e, bem ou mal, ainda estavam funcionando. Agora terão de ser totalmente restaurados'', afirma. Os antigos projetores foram desmontados e a tela antiga inutilizada. Kennedy Piau diz que a Casa de Cultura está estudando o que fazer para manter os dois antigos projetores em funcionamento.
Mônica Rischibieter salientou que todos os demais cinemas vão funcionar com os multimídias. ''O Ouro Verde é muito diferente dos outros e vai ser fornecedor como o Teatro Guaíra, gerando espetáculos ao vivo para outros teatros'', diz. A secretária concorda que o espaço tenha demanda para um projetor profissional de cinema, mas que os antigos equipamentos deverão ser restaurados para tal finalidade. Rischibieter disse ainda que além dos 13 equipamentos digitais, serão adquiridos um transmissor para o Teatro Guaíra e um móvel, que poderá transmitir eventos como o Filo e o Festival de Música.
A data escolhida para a reinauguração também foi questionada, por causa das férias da Universidade. A secretária de Cultura argumentou que o atraso nas obras foi o responsável pela opção das datas.
Apesar de Mônica Rischibieter dizer que o Ouro Verde será entregue oficialmente à comunidade hoje, Kennedy Piau afirma que a Universidade estará aguardando uma perícia com engenheiros e arquitetos da UEL. ''Durante a reforma, as obras estiveram sob responsabilidade do Governo. Receberemos o Ouro Verde oficialmente em janeiro, depois de uma avaliação completa''. O pedido de vistoria, de acordo com Piau, ocorreu depois de serem detectados alguns problemas na reforma. A secretária da Cultura informou que tudo estaria resolvido até hoje.

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