O ótimo "A Trapaça" é outra estréia de amanhã
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de junho de 1999
Por Luiz Carlos Merten 
São Paulo, 17 (AE) - No original, o título é "The Spanish Prisioner", o prisioneiro espanhol. No Brasil é "A Trapaça". É entregar o ouro. O espectador entra no cinema sabendo que tudo aquilo que vai ver faz parte de uma maquinação. "A Trapaça" é ótimo, mas é, até certo ponto, um filme difícil de escrever. Qualquer informação ou frase a mais pode tirar a graça, antecipando os detalhes da maquinação em que o personagem de Campbell Scott é envolvido. Logo no começo, o espectador recebe as informações básicas. Scott é inventor e criou uma fórmula que poderá render uma fortuna para a empresa que o contratou. O espectador nem faz idéia do que seja essa fortuna porque quando o personagem escreve a previsão de lucro no quadro negro a atenção está nele e não no que escreve. Surge o personagem de Steve Martin, que passa a explorar a paranóia de Campbell de que talvez venha a ser enganado.
Roteirista consagrado, grande autor de teatro, David Mamet é especialista em tecer tramas sinuosas em que as coisas raramente são o que parecem ser. Faz isto para discutir o vazio existencial e os equívocos a que pode chegar o isolamento humano. Basta lembrar de "Jogo de Emoções" e "Homicídio". "A Trapaça" segue a linha dos dois. Numa vertente mais clássica, ele acaba de fazer "The Winslow Boy", que estreou no Festival de Cannes. Baseado na peça de Terence Rattigan, é outra expressiva demonstração do talento do autor.


