São Paulo Rubens Ewald Filho jura que o cinema italiano foi mais importante em sua formação e é o que ele, até hoje, prefere. Mas, por força de ser o comentarista oficial do prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood na TV brasileira você deverá vê-lo amanhã à noite na transmissão da cerimônia pelo ''SBT'' , sua imagem, para o público, é indissociável do Oscar. Não admira, portanto, que a Companhia Editora Nacional, animada com as vendas do ''Dicionário de Cineastas'' de Ewald Filho, tenha lhe proposto um livro sobre o Oscar.
Até aí, é normal. A novidade é a forma como esse livro, sugestivamente chamado ''Rubens Ewald Filho: O Oscar e Eu'', vai surgir. Rubens Ewald Filho comenta a cerimônia no ''SBT'', o que, em geral, vai até 3 horas da manhã. Dali vai sair diretamente para o computador, para escrever as 16 ou 32 últimas páginas de um livro que será lançado no fim da tarde de segunda-feira.
Ewald Filho não garante, mas pode ser um recorde mundial. ''Para mim talvez não seja muito difícil escrever essas páginas, porque quando termina a cerimônia eu estou sempre com a adrenalina a mil. O desafio é da editora: preparar, imprimir e montar os cadernos que compõem o volume, em tempo hábil para lançamento, 15 horas mais tarde.
Vai ser uma operação de guerra montada pela Companhia Editora Nacional, até porque o livro, inicialmente previsto para ter 200 páginas, tornou-se um alentado volume de mais de 300. Justamente a guerra: todo ano o crítico recebe um roteiro detalhado da cerimônia, que antecipa até as falas dos apresentadores. Ele recebeu, como sempre, esse pré-roteiro na última terça-feira, mas na quinta foi avisado de que tudo mudou, sem receber a contrapartida do que será o novo roteiro. Isso vai aumentar o desafio para ele próprio, além da editora.
Na capa, além dos nomes do autor e do livro, um letreiro, como no cinema, informa que o lançamento responde a ''tudo o que você sempre quis saber sobre o prêmio (o Oscar), numa visão jornalística, leve e bem-humorada''. Ewald Filho diz que, de todos os seus livros, esse é o que tem menos a intenção de tornar-se obra de referência. Tem informações sobre todos os premiados, mas é mais uma obra de fã. ''E o fã não precisa levar o Oscar a sério'', ele esclarece.
Ewald Filho dedica o livro a outra fã do prêmio, a jornalista Dulce Damasceno de Brito, que durante anos foi correspondente de jornais brasileiros em Hollywood. A essa altura, você quer saber as previsões dele. Ewald Filho aposta em ''Chicago'' para melhor filme, mas não em Rob Marshall para melhor diretor. Acha que quem leva é Martin Scorsese. Confira amanhã à noite.

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