O Oscar na mira do Brasil
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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2003
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha 2 
Chegou o dia. A partir das 11h30 (horário brasileiro), no Teatro Samuel Goldwyn de Los Angeles, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood fará o anuncio das nominações para a 75 edição dos prêmios Oscar, pondo fim a semanas de especulação, milionárias campanhas de marketing e ferozes estratégias de lobby. A partir de hoje, somente cinco candidatos por categoria estarão habilitados para a reta final até as cobiçadas e lucrativas estatuetas douradas. O canal por assinatura Telecine Premium (61 da Net) transmite ao vivo o anuncio.
''Chicago''(estréia no Brasil em 7 de março), ''As Horas''(28 de fevereiro) e ''Gangues de Nova York'' (já em exibição) devem dividir a maioria das indicações de peso. ''Adaptação'' (estréia dia 21 próximo), ''About Schmidt'', ''O Senhor dos Anéis: As Duas Torres'', ''Prenda-me se For Capaz'' (estréia dia 21), ''O Pianista'', ''Longe do Paraíso'', ''Solaris'' e ''Fale com Ela'' vão disputar as nominações de elenco, roteiro, direção, fotografia, montagem, trilha sonora e até as duas restantes de melhor filme do ano. O Globo de Ouro, entregue há três semanas, e a nominação para os prêmios Bafta - o Oscar inglês, dia 23 próximo - já anteciparam boa parte do que está sendo revelado hoje.
Para o Brasil, o foco de interesse está além desta disputa feroz entre os títulos citados em busca das categorias de ponta. Mais uma vez a atenção do público brasileiro está direcionada para as possibilidades que ''Cidade de Deus'' tem para ocupar uma das cinco candidaturas oficiais ao Oscar de melhor filme em idioma não inglês. E a situação do filme de Ricardo Meirelles e Katya Lund não parece assim tão complicada, despontando até com certo favoritismo. Com o espanhol ''Fale com Ela'' e o mexicano ''Y Tu Mamá También'' fora da disputa por decisão oficial de Espanha e México, respectivamente, os principais oponentes a ''Cidade de Deus'' são outros títulos que estrearam nos EUA com boa acolhida de crítica, e que vêm sendo trabalhados por lobbys consideráveis. Num primeiro bloco, digamos, a elite, estão o mexicano ''O Crime do Padre Amaro'' e francês ''Oito Mulheres'', já lançados no Brasil, o italiano ''Pinóquio'', de Roberto Benigni, e o indiano ''Devdas'', ainda inéditos por aqui.
Num segundo grupo, ainda uma concorrência preocupante, estão cerca de dez, doze filmes com candidatura potencial entre os 54 aspirantes - número recorde na história do Oscar. São o russo ''Casa de Loucos'', de Andrei Konchalovski (Grande Prêmio do Júri em Veneza-2002), o coreano ''Oásis'' (melhor direção, Veneza 2002), o belga ''O Filho'' (melhor ator, Cannes-2002), o alemão ''Nowhere in Africa'', o dinamarquês ''Corações Abertos'', o espanhol ''Los Lunes al Sol'', o argentino ''Kamchatka'', o finlandês ''O Homem Sem Passado'' (Premio Especial do Júri, Cannes-2002), o sueco ''Lilja 4-Ever''), o islandês ''O Mar'' e o uruguaio ''Corazon de Fuego''.
Mas para além do destino que a Academia reservou para ''Cidade de Deus'', o certo é que o drama de Meirelles já vem cumprindo excelente carreira internacional - críticas amplamente favoráveis, prêmios, nominações e vendas -, além da impressionante fatura interna: cerca de 3 milhões e 200 espectadores. Resta saber se os acadêmicos de Hollywood votaram em sintonia com esta performance.


