O Oscar, brilhante
Performance Nesses últimos anos, Helfgott tem se apresentado com uma agenda de concertos sempre lotada. Suas performances (e a palavra é cabível para ele), segundo críticos confiáveis, confundem virtuosismo passional com técnica, deixando a maioria das interpretações apenas sofrível. Mesmo para olhos e ouvidos não especializados, sua execução da popular peça O Vôo do Besouro, na cerimônia de entrega do Oscar, foi páreo duro para a desafinação de Madonna, momentos antes. O disfarce foi a incrível agilidade manual, de resto obrigatória para qualquer intérprete que se aventure pela esvoaçante peça romântica de Rimsky-Korsakov.
Eu pretendi explorar uma vida que estava nos limites entre o brilho e o caos, diz o diretor Scott Hicks, credenciado por premiados documentários para a tevê. E nessa missão ele sem dúvida recebeu ajuda definitiva de Geoffrey Rush, um veterano ator de teatro que faz Helfgott adulto. Shine - Brilhante pode até ser sentimental - as cenas entre o mentor vivido por Sir John Gielgud e o jovem Helfgott lembram o duro aprendizado nas lições de Karatê Kid. Mas as intensas caracterizações, sua riqueza emocional e um humor desinibido fazem do filme um dos bons lançamentos deste início de ano.Procura por Shine deve
aumentar depois da estatueta
de melhor ator
para Geoffrey Rush
DivulgaçãoGeoffrey Rush: um Oscar por Shine - BrilhanteDepois que o pianista-concertista australiano David Helfgott assistiu Shine - Brilhante , drama baseado em sua vida, ele considerou o melhor filme já realizado desde Ben-Hur. A julgar pelo interesse despertado no último Sundance Festival, onde os compradores quase se pegaram a tapa pelos direitos do filme, e diante de outros prêmios nos festivais de Toronto e Aspen, além do recente Globo de Ouro e do Oscar de terça-feira, e com a calorosa acolhida por toda parte onde é exibido, a afirmação não é lá tão esquizofrênica assim, embora contenha evidente e contestável exagero.
Começando e terminando com a ressurreição de Helfgott após 20 anos de internamento num hospital psiquiátrico, Shine narra o relacionamento do artista quando jovem com seu pai (Armin Mueller-Stahl), um dominante, asfixiante judeu sobrevivente do holocausto. Contra os desejos do pai, Helfgott-adolescente (Noah Taylor) troca o lar em Melbourne por Cambridge, na Inglaterra, onde recebe aulas de um mestre legendário, Cecil Parkes (Sir John Gielgud). Longe de casa, exigindo-se em demasia, sem condições de cuidar de si próprio, Helfgott não resiste: após a execução do complexo 3º Concerto para Piano, de Rachmaninov, ele tem um colapso nervoso e volta à Austrália onde passa um longo período alternando momentos maus e razoáveis. Helfgott conhece uma astróloga e acabam tendo uma surprendente relação estável e feliz, o que devolve tranquilidade ao artista para retomar sua carreira





