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Paulo WolfgangMari Estella Vieira Pires: temperos para todos os gostosEm comparação com a França, onde a comida é um item muito importante do dia-a-dia e seu preparo às vezes é encarado com um rigor excepcional, o Brasil não dá muita importância ao que come. A dona de casa brasileira, em geral, costuma a usar em seus pratos basicamente os temperos mais comuns, como sal, cebola, alho e pimenta-do-reino. Quando muito arrisca um pouco de salsinha e cebolinha, o conhecido cheiro verde.
E nem é tanto pela dificuldade em encontrar as tais especiarias que fazem a diferença no sabor. Hoje não é preciso até o Oriente para buscar as inúmeras variedades de temperos. Qualquer bom supermercado ou mercearia oferece uma ampla gama de opções de condimentos desidratados.
É certo que alguns são mais difíceis. Não é em qualquer lugar que se encontra a segurelha, o kummel (ou alcarávia) e a semente da papoula. Mas também não é nenhum bicho de sete-cabeças. Em Londrina, por exemplo, a Mercearia do Gourmet oferece cerca de 60 opções de ervas, condimentos e especiarias usadas na culinária internacional. Lá, pode-se encontrar até alguns tipos de ervas frescas como coentro, estragão, manjericão, manjerona e orégano, entre outros.
Na feira A feira-livre é outra opção. Uma barraca que acompanha o circuito diurno das feiras-livres em vários pontos da cidades comercializa cerca de 35 tipos de temperos desidratados e uma centena de ervas e raízes medicinais. Lá tem de tudo um pouco, do tradicional orégano à páprica suave ou picante, passando por inúmeras variedades de pimentas, desde a branca até a da jamaica que não é ardida.
Segundo Mari Estella Vieira Pires, proprietária da barraca, os campeões de vendas são as pimentas e o tempero baiano, um mix de ervas e condimentos que ela mesmo prepara e que pode ser usado em vários tipos de pratos. O que eu noto é que, nas feiras do centro, o pessoal procura temperos mais sofisticados, como açafrão, manjericão e páprica. Nos bairros, o que sai muito são os mais comuns, como orégano e a salsinha e a cebolina - conta.
Para quem quer experimentar novos sabores mas não sabe como combinar os temperos com os alimentos, Mari Estella sempre tem a resposta na ponta da língua. A páprica picante fica muito boa com o frango. O endro é ótimo para conserva, peixe, repolho. O tomilho pode ser usado para carne e frango - vai ensinando. O que ela não sabe, não tem vergonha de consultar um livro sobre o assunto que sempre carrega.
E quando o assunto é comida, Mari Estella é categórica: Comida sem tempero não dá, né? Pode ser a melhor carne do mundo, ter o alho, a cebola, mas se não tiver ao menos uma pimentinha...





