Reprodução e Arquivo FolhaAlém de ter servido de cenário para o romance policial ‘‘Assassinato no Expresso Oriente’’, de Agatha Christie, o Orient Express também chegou à tevê brasileira, por obra e graça do autor Manoel Carlos, que incluiu algumas cenas do famoso trem no primeiro capítulo de ‘‘Por Amor’’. Sofisticado, com vagões elegantes, o Orient Express foi inaugurado no dia 5 de junho de 1883 e transportou reis e imperadores, até sofrer as consequências da Segunda Guerra. Passou por uma fase de modernização entre 1977 e 1982 e recuperou o velho charme que atrai muitos casais românticos.
‘‘Inverno de 1930. Meia-noite. O barulho compassado da roda de ferro sobre o trilho gelado, de repente, pára. Em algum lugar entre Istambul e Calais, o Orient Express tem seu percurso interrompido por um monte de neve. Em meio ao burburinho dos passageiros, um cadáver é descoberto. Medo, pavor, suspense...’’ Assim comeca a intrigante história de Agatha Christie, ‘‘Assassinato no Orient Express’’. Todo o glamour do trem foi imortalizado também em outras 483 novelas e 92 filmes.

Reprodução e Arquivo FolhaDe ponta a pontaParis é ponto de partida do roteiro de quase 3 mil quilômetros que corta seis países e termina em Istambul, na Turquia.O livro, publicado em 1934, contribuiu significativamente para o ar de mistério que muitos passageiros ainda dizem sentir quando pisam no famoso trem. Privilégio de poucos, o Orient Express fez sua primeira viagem ligando Paris a Constantinopla, na Turquia. Quando o seleto grupo de passageiros, entre eles o rei Carlos II da Romênia, chegou na estação de destino, a recepção foi à altura da viagem. O poderoso sultão Abdul Hamid II, conhecido como ‘‘A Sombra de Deus na Terra’’, deu pessoalmente as boas-vindas aos viajantes.
Apesar de ser um passeio caro, a viagem dos sonhos tem de ser marcada com muita antecedência. O Nostalgie Istambul Orient Express viveu o auge nas décadas de 20 e 30. As composições de luxo encantavam a elite da ‘‘Belle Époque’’. Já no início do século, existiam vários roteiros, como o do Simplon Orient Express, de 1919. Em todos eles ricos, nobres, políticos, espiões, aventureiros, donzelas e prostitutas dividiam corredores e cabines. Um ambiente perfeitamente captado por Agatha Christie.
No entanto, a concorrência estabelecida, principalmente, pelas companhias aéreas fez com que em 1977 fosse decretado o fim da operação comercial do trem. Mas nada substituiu o encanto de uma viagem sobre trilhos, e em 1982 os admiradores do antigo trem o viram renascer como Venice Simplon Oriente Express (VSOE), só que levando passageiros de Londres a Veneza.
Fazendo 70 quilômetros por hora, o trem corta 2.880 quilômetros, passa por seis países e proporciona aos viajantes o contato com cinco diferentes religiões. Assim como os hábitos e tradições de cada país, é a paisagem que se pode ver pela janela. Montanhas, vilarejos, vales, plantações, jardins, cidades, povos...
A grande novidade é a volta da deliciosa viagem de luxo entre Paris e Istambul, percorrida pela última vez na década de 70. A retomada do passeio, em agosto deste ano, fez tanto sucesso que quase todos os lugares já estão esgotados. Não há mais passagens para a viagem de ida, apenas alguns bilhetes para a de volta, entre Istambul e Veneza. Os preços custam a partir de US$ 3,8 mil por pessoa, em cabine dupla, incluindo refeições e passeios com guias.
Outro ramal, inaugurado em 1993, liga Cingapura à Tailândia, com paradas em Butterworth, na Malásia. Aqui o clima reproduzido é o mesmo que marcou o filme ‘‘O Expresso de Xangai’’, com Marlene Dietrich. Em duas noites e três dias, os 132 passageiros podem desfrutar de cabines climatizadas, três restaurantes e dois bares. No total, são 1.950 quilômetros que separam Cingapura de Bangcoc. Quem preferir pode fazer algumas excursões, como a que vai para a ilha de Phuket, na Tailândia, ou ainda, a de Cingapura a Malaca ou a de Bangcoc a Thai. Há vários pacotes, com duração e percursos variados, incluindo hospedagem em hotéis de luxo ou mais simples.

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