O olhar estrangeiro tem 350 obras
São Paulo, 21 (AE) - A imagem do Brasil é o tema central da mostra "Olhar Distante", que reúne um dos conjuntos mais valorosos da Mostra do Descobrimento. São 260 obras, executadas em um período de mais de 350 anos, por estrangeiros que visitaram o País e documentaram em imagens esse novo mundo exótico e misterioso. A mostra começa com Frans Post, que chegou ao Brasil na comitiva de Maurício de Nassau.
O artista flamengo está representado pela tela "Vista de Itamaracá" (1637) e outros três trabalhos realizados enquanto estava no Brasil - pintou diversas paisagens de memória
após voltar à Europa. Depois de Post e Eckhout, é necessário esperar até o século 19 para encontrar novos registros iconográficos sobre o País, pois as fronteiras brasileiras ficaram fechadas por quase dois séculos aos navegantes estrangeiros.
Em compensação, com a vinda da Missão Francesa proliferam as imagens feitas pelos viajantes, que se encantavam com a natureza exuberante das novas terras. "Aqui, os artistas estrangeiros encontram um mundo de luz e estranhamento", escrevem os curadores no catálogo resumido da Bienal. A exposição segue no tempo, exibindo também outras formas de expressão artística, como a fotografia e a instalação.
A mostra é encerrada com obra da série "Lilith", feita pelo artista alemão Anselm Kiefer em 1998, quando esteve visitando São Paulo e que retrata de forma impiedosa a metrópole paulistana. Infelizmente a estratégia de criar cenários que tornassem os módulos atrativos ao público leigo - que pode ser questionada em sua integridade - revelou-se ainda mais trágica nesse módulo. Debrets, Eckhouts e Posts dificilmente sobreviverão incólumes ao efeito deletéreo do cenário operístico criado pelo italiano Ezio Frigerio.





