Os pataxós eram índios selvagens que viviam na mata entre os rios das Contas e Jequitinhonha. Com a chegada do cacau nessa área, começaram os conflitos com os brancos. Os pataxós mais pacíficos desapareceram em pouco tempo e os mais hostis se embrenharam no mato.
A chegada de um quartel do Rio Pardo fez os pataxós se dividirem em dois grupos: um ficou no Sul e o outro foi para o Norte, os chamados Hã Hã Hãe. As batalhas com os brancos passaram a ser tão constantes e violentas que o governo da Bahia decidiu aldeá-los. Os do Sul ficaram na região do Monte Pascoal e os Hã Hã Hãe foram encaminhados para uma área chamada Caramuru-Paraguaçu.
Depois de abandonar suas terras, fugir de policiais e de fazendeiros, trabalhar como escravos, ter sua gente espancada e assassinada, suas mulheres violentados, os pataxós, em 1980, começaram a reivindicar suas terras de volta. Os de Barra Velha voltaram silenciosamante, com medo. Os de Caramuru, vieram prontos para qualquer coisa. A luta tem sido covarde e sangrenta, mas eles não desistem e são muito resistentes.
Hoje existem 15 aldeias no extremo Sul da Bahia e uma em Minas Gerais. Há imensas diferenças entre os pataxós dessas aldeias. Em Barra Velha, a aldeia-mãe, os índios são os que vivem mais isolados e estão um pouco mais próximos da natureza. São também os mais desconfiados.
Em Coroa Vermelha, pelo contato diário com turistas, os índios passaram a explorar a imagem folclórica como forma de sobrevivência. Em Caramuru, são mais radicais e engajados politicamente. Vivem na miséria absoluta. A terra não é boa para plantar e não há água potável. Em Barretá, são absolutamente tristes. Estão ilhados entre fazendeiros, pisam entre escorpiões e, depois do acontecimento da laqueadura coletiva entre as mulheres, não podem mais ter filhos.(E.M.C.)

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