Como lá fora, por aqui também se promove um revival do pop-rock da década de 80. A banda Capital Inicial, uma das expoentes da época, tenta sair do ostracismo lançando mão de um retorno triunfal, mais desejado do que propriamente realizado.
A estratégia inclui a volta da formação original e um novo álbum gravado e mixado no exterior com produtor gringo e sob a chancela da nova gravadora Abril Music. O CD, intitulado Atrás dos Olhos, marca o reencontro do vocalista Dinho Ouro Preto com os outros fundadores da banda: Loro Jones e os irmãos Felipe e Flavio Lemos.
O disco foi gestado em Nashville (EUA) com produção do norte-americano David Z, que já trabalhou com Prince, Billy Idol, Buddy Guy, Fine Young Cannibals etc. ‘‘A qualidade de som ficou excelente’’ - conta o baixista Flávio Lemos. ‘‘A produção sempre foi um problema para a banda. Nunca ficamos satisfeitos com os resultados anteriores.’’
ReproduçãoAtrás dos Olhos reúne 4 parcerias da banda com o compositor Alvin L.; inclui uma cover de ‘‘Assim Assado’’ (sucesso dos Secos & Molhados nos anos 70); e traz a participação de Philippe Seabra (ex-Plebe Rude) nos violões da faixa ‘‘Religião’’. O disco, oitavo de uma carreira de mais de 15 anos, reitera o estilo original da banda adicionando timbres e elementos de produção mais contemporâneos.
‘‘Muita gente achou que viríamos com um som eletrônico por causa do modismo’’ - explica o baixista. ‘‘Mas nós preferimos manter a coerência. Afinal, o que vai estar na moda no próximo ano? Não dá para ficar correndo atrás. Esse disco é um disco de rock, do rock que sempre fizemos. Quem ouvir, vai reconhecer o Capital.’’
Solicitado a comentar a trajetória de colegas de geração, o músico solta a língua. ‘‘Sempre fui fã do Barão, mas acho que eles ficaram no meio do caminho com essa conversão ao techno. Ou você é ou não é! Os Titãs fizeram um trabalho legal com o álbum acústico. Mas lançar um segundo disco no mesmo gênero já é forçar a barra’’ - dispara.
Para ele, uma das marcas distintivas da geração de 80 é a preocupação com as letras. ‘‘O texto sempre foi muito importante’’ - diz. ‘‘Não é à toa a influência exercida pelo Legião Urbana. Naquela época, colocávamos críticas sociais até em letras descompromissadas.’’ O Capital surgiu em 1994, a bordo da caravana roqueira brasiliense da qual faziam parte nomes como Legião Urbana, Plebe Rude, Detrito Federal e Arte no Escuro.
Estourou nas rádios com ‘‘Fátima’’, ‘‘Psicopata’’, ‘‘Música Urbana’’ e ‘‘Leve Desespero’’. Em 93, a formação se desfez, com Dinho Ouro Preto frustrando-se depois em carreira-solo e os demais tentando manter em vão o nome da banda em alta. Durante esse período, o vocalista lançou um álbum com a banda Vertigo e um disco-solo. Já, o Capital gravou dois CDs com o vocalista substituto Murilo Lima.
A idéia de reunir os fundadores surgiu para comemorar os 15 anos do grupo. ‘‘Fizemos alguns shows e começaram a aparecer convites das gravadoras. Daí para um contrato e a gravação foi um pulo’’ - conta o músico. Atrás dos Olhos chega ao mercado simultaneamente a um álbum de remixes lançado pela gravadora PolyGram, pela qual a banda gravou os quatro primeiros discos.
A canção promocional ‘‘O Mundo’’, já em execução nas rádios, dá bem a cara do novo velho Capital Inicial.

mockup