O novo rock inglês
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terça-feira, 01 de julho de 2003
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Os novos brits estão chegando. A última safra de grupos ingleses começa a desembarcar no Brasil. Mas, por enquanto, só nas lojas com o lançamento de seus discos de estréia. Os CDs do The Coral e do The Music já circulam nas prateleiras. O do The Libertines está previsto para sair em agosto.
Há um ano, as três bandas foram saudadas como grandes promessas pela afoita imprensa musical britânica. Emplacaram singles nas paradas locais, lotaram shows, mas ainda não estouraram no outro lado do Atlântico como a geração comandada por Oasis e Blur.
Dos três grupos, The Coral é o que provoca mais curiosidade com seu coquetel pouco convencional de referências. Quando lançou o álbum homônimo, foi aclamado como a salvação da música inglesa pela revista Q. É formado por seis garotos de Liverpool, berço dos Beatles e Echo & The Bunnymen. O CD traz 11 faixas e uma composição escondida no final. O repertório foge do padrões do indie rock recente do país.
Os arranjos psicodélicos e as mudanças de dinâmica (típicas do rock progressivo dos anos 70) pontuam a maioria das composições. Se ''I Remember When'' e ''Waiting for The Heartaches'' lembram o The Doors, canções como ''Sheleton Key'' e ''Dreamig of You'' parecem inspiradas em Frank Zappa, música de circo e trilha de desenho animado. Já ''Goodbye'', cujo clipe tem razoável rotação na MTV, remete a Echo & The Bunnymen.
Mais familiar aos tímpanos do público indie, o som do The Music soa como uma mistura de Stones Roses com The Charlatans. Formada na cidade de Leeds, recebeu elogios do influente Steve Lamacq, que tocou uma demo do grupo em seu programa Radio One afirmando que os quatro pirralhos formavam ''a melhor banda sem contrato da Inglaterra''.
Para gravar o primeiro álbum, eles convidaram o produtor Jim Abbiss, a quem admiravam por seus trabalhos com Bjork e DJ Shadow. O disco chegou às lojas britânicas no outono de 2002. Estão lá as guitarras-base ruidosas e as batidinhas dançantes que tanto incendiaram as pistas da terra da Rainha no começo dos anos 90.
Mas está lá também o vocalista Robert Harvey, com seus timbres agudos clonados de Perry Farrell, do Jane's Addiction. As faixas de abertura ''The Dance'' e ''Take The Long Road And Walk It'' empolgam, mas não são suficientes para decolar um álbum retardatário e que padece de derivações.
Completando o trio de bandas emergentes, o The Libertines despontou como ''a resposta inglesa aos Strokes'', título lhes atribuído pelo jornal New Musical Express. Fundado em Londres, virou hype já com um single de estréia produzido por Bernard Butler, ex-guitarrista do Suede. Logo depois, gravaram um outro single e o primeiro álbum ''Up The Bracket'', ambos produzidos por Mick Jones, ex-The Clash.
Badalados por todos, arrancaram elogios até de Gordon Raphael, produtor dos Strokes, que teria saído de um show dos meninos exclamando quase aos prantos: ''É como conhecer os Beatles quando eles tinham 18 anos''. Ao escutar o álbum, no entanto, a decepção é flagrante. Pífio, o CD só levanta vôo na faixa-título e em ''Time For Heroes'', mesmo assim com alguma generosidade por parte do ouvinte.
O mod do The Jam faz sombra sobre a maioria das canções, com exceção a uma ou outra música decalcada do The Clash (''The Boy Looked at Johnny'') e dos Strokes (''Tell The King''). O lançamento no Brasil está programado para agosto. Talvez, até lá, outros títulos desembarquem nas lojas trazendo as também novatas e incensadas Electric Soft Parade, Audio Bullys, The Streets e Turin Brakes. A caça por uma nova grande banda prossegue.


