O novo pop americano
O NOVO POP
AMERICANO
As bandas Lilys e Blonde Redhead lançam ótimos
álbuns e despontam como revelações na temporada
ReproduçãoLilys: influência de Beatles, Beach Boys e The KinksNelson Sato
Recessão é palavra inexistente no vocabulário dos alternativos. Pelo menos na atual temporada, em que a rendição ao consumo de CDs ficou inevitável diante da avalanche de discos lançados quase que simultaneamente pelas bandas mais representativas do meio.
Só para lembrar, a lista de ilustres que estão abastecendo o mercado inclui Sonic Youth, Smashing Pumpkins, Jesus and Mary Chain e Beastie Boys. Mas além da nata do pop, há também um vasto catálogo de títulos de bandas emergentes assediando o público nas prateleiras das importadoras.
É o caso de Better Cant Make Your Life Better, álbum de estréia do quarteto americano Lilys, que virou sensação na Europa depois de emplacar uma música num comercial de TV da Levis. A badalação tirou o disco da obscuridade, onde esteve mantido desde seu discreto lançamento em 96.
ReproduçãoBlonde Redhead:
estridências à
la Sonic YouthO álbum é revivalista, mas dotado de raros preciosismos pop. A Nanny in Manhattan, a faixa responsável pela descoberta da banda, é pouco inspirada se comparada a outras canções do repertório como a música-título ou Paz en el Hogar, esta com uma levada de órgão de chacoalhar poste.
Combinando influências de Beatles e Beach Boys nas harmonias vocais e guitarradas secas de bandas mod como The Kinks e Small Faces, Lilys se mostra relaxado na produção do disco, que soa como uma demo-tape gravada no porão da casa. Tudo, incluindo timbres dos instrumentos, remete ao espírito garageiro dos anos 60. O som é retrô, mas dá de dez em trocentos trabalhos modernosos despejados mensalmente nas lojas.
Ainda na área de CDs estimulantes, convém prestar atenção em Fake Can Be Just As Good, segundo álbum do trio Blonde Redhead que traz uma formação inusitada reunindo uma japonesa (Kazu Makino) e dois irmãos gêmeos italianos (Simone e Amadeo Pace).
Blonde é contratado do selo Touch and Go Records, reduto de bandas cultuadas como Man or Astro Man?, Polvo e New Wet Kojak. Há dois anos, ganhou destaque com o lançamento de um disco pelo selo Smell Like Records, comandado por Steve Shelley, o baterista do Sonic Youth.
Por coincidência, o Sonic é a referência mais notória nas composições do grupo fazendo sombra em pelo menos metade das faixas do novo trabalho com seu coquetel de ruídos, microfonias, vocais desafinados e harmonias intrincadas. Tudo porém parece filtrado pelo trio, que economizou acordes gravando apenas 8 músicas para esse disco.
Mas, sinceramente, nem precisava de mais para se garantir como uma das boas revelações da temporada.





