O novo e o velho oeste
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de agosto de 2001
Emerson Dias<BR>Do Pantanal 
Considerado o principal corredor de biodiversidade das américas, a região Oeste do Brasil atrai cada vez mais estrangeiros e começa agora a chamar a atenção dos turistas tupiniquins, com um roteiro cheio de florestas nativas, manguezais intocados, trilhas ecológicas, cavernas, tribos indígenas e rios que mais parecem gigantescos aquários naturais.
Dentro desta área, que começa na Amazônia (norte do Brasil) e segue até a Patagônia (leste da Argentina), totalizando mais de 20 mil quilômetros, destaca-se um novo trecho que une duas reservas tombadas pela Unesco como patrimônios naturais da humanidade: o Parque Nacional do Iguaçu no Paraná, e o Pantanal no Mato Grosso do Sul. A rota entre Foz do Iguaçu e Corumbá (MS) foi percorrida por mais de 10 mil estrangeiros (principalmente europeus) nos últimos dois anos. Estes números, aliados à tendência mundial pelo ecoturismo, idealizaram a criação do Oeste Ecológico, projeto que reuniu grupos ambientalistas e empresas que escolheram a natureza com principal atrativo para os visitantes e veranistas, entre elas agências, hotéis, fazendas e até prefeituras.
Com a oficialização do roteiro, um percurso via terrestre com cerca de 1,3 mil quilômetros, os viajantes podem contar com infra-estrutura para conhecer as belezas naturais, assim como a gastronomia e o folclore da região. O portal de entrada do passeio está em Foz do Iguaçu, onde estão as famosas cataratas, situadas dentro dos 185 mil hectares do Parque Iguaçu. O primeiro pólo turístico do interior do Brasil (e terceiro no ranking hoteleiro) conta ainda com o Marco das Três Fronteiras, o Parque das Aves, passeios pelos rios Paraná e Iguaçu e pelo menos outros 20 pontos turísticos imperdíveis.
A viagem segue em direção ao norte, passando pelas praias artificiais da Costa Oeste (região banhada pelo Lago de Itaipu) em direção a Guaíra, parada obrigatória para conferir sua famosa gastronomia à base de peixes (destaque para o pintado na telha). Cruzando a divisa entre Paraná e Mato Grosso do Sul, chega-se a Dourados, região que abriga a segunda maior comunidade indígena do Brasil cerca de 9,5 mil integrantes e onde está sendo desenvolvido o primeiro Centro Cultural Indígena do País (somente a Polinésia tem projeto similar).
A viagem segue até Bonito, conhecida internacionalmente com um dos melhores locais de mergulho do planeta. Entre os 25 passeios existentes na cidade (todos ligados ao ecoturismo) estão a Gruta do Lago Azul, o Abismo Anhumas (rapel seguido de mergulho) e a canoagem pelo Rio Formoso. A pequena cidade de 16,8 mil habitantes oferece ainda o Festival de Inverno, evento cultural que conta com exposição e oficinas de artes plásticas, mostra de cinema e apresentação de várias estrelas da MPB (este ano estão previstos shows com Alceu Valença, Zeca Baleiro, Boca Livre e Almir Sater, entre outros).
Dando continuidade à rota ecológica, os visitantes seguem até o Pantanal, passando por Aquidauana, Miranda e Corumbá (fronteira com a Bolívia). Imagens deslumbrantes de igarapés e matas banhadas principalmente pelos rios Paraguai, Negro e Miranda em época de cheia; jacarés e peixes gigantes como pintados e dourados, além de pássaros raros como tucanos, araras e tuiuiús (ave símbolo do Mato Grosso do Sul). Vários passeios são organizados em fazendas onde a safra é produzida sem agredir a natureza. A viagem termina na capital Campo Grande, marcando o retorno à civilização repleto de bares, restaurantes e boates agitadas.
Você confere a seguir, detalhes dos principais pontos turísticos, com dicas, curiosidades e um mapa obrigatório para quem quer curtir a natureza durante as férias.


