O nome dele é Bond, James Bond
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quarta-feira, 08 de maio de 2002
Nelson Sato 
Eduardo Torelli prepara o lançamento do livro Sexo, Glamour e Balas, que conta a trajetória do mais famoso agente secreto do cinema e da literatura
Ele dispensa apresentações. É Bond, James Bond, o espião 007 a serviço de sua Majestade. A série de cinema está comemorando 40 anos com o lançamento do vigésimo filme, Die Another Day, previsto para chegar às telas em novembro. Em 2003, será a vez do personagem criado pelo escritor Ian Fleming festejar seu cinquentenário.
Na esteira das datas redondas, o Brasil contribui para celebrar as efemérides com a publicação do livro Sexo, Glamour e Balas, a ser lançado no final do ano pela editora Opera Graphica. O volume, de autoria do paulistano Eduardo Torelli, conta a trajetória do mais famoso agente secreto da literatura e do cinema dedicando blocos temáticos respectivamente aos livros da série, às versões para o celulóide e ao culto do herói enquanto fenômeno cultural de massas.
Ele atingiu um estágio mítico como Batman ou Super-Homem diz Torelli, por telefone. Eu nasci na era audiovisual, mas sempre fui mais ligado aos livros do que aos filmes dele. Conheci a obra de Fleming vasculhando sebos no início da década de 80. Na época, eu assistia aos filmes apenas na televisão porque ainda não tinha idade para frequentar o cinema. O personagem me fascinou e fui atrás dos livros da mesma forma que os moleques de hoje, que assistiram ao X-Men no cinema, correram atrás dos gibis. Bond já era famoso na literatura, já causava polêmicas. Tinha um quê de xenofobia contra a Alemanha, que era o temor dos ingleses durante a 2ª Guerra Mundial.
Os livros, segundo ele, traziam elementos proféticos em suas páginas. Como exemplos, cita a guerra bacteriológica, as conspirações internacionais e as células terroristas. Torelli lamenta a ausência da obra de Fleming no mercado editorial brasileiro. Lembra que a editora gaúcha L&PM chegou a lançar três volumes recentemente, cancelando o restante da série. Foi uma frustração, porque no exterior os títulos de James Bond nunca saem de catálogo. Há, inclusive, edições acessíveis em formato de pocket books salienta.
Fleming escreveu 12 novelas de ficção e duas coletâneas de contos. A série teve continuidade com outros escritores, mas Toreli deteve-se apenas no autor original. Ao analisar a adaptação cinematográfica de 007, ele observa que as primeiras versões mantinham mais fidelidade à ficção dos livros. Depois exploraram mais os efeitos, o lado fantástico diz. Ainda segundo ele, a ameaça dos russos e alemães que fornecia uma tensão geo-política à trama também teria sido apaziguada no cinema.
Contestando o quase consenso em torno de Sean Connery, considerado o ator que melhor representou o personagem nas telas, ele transfere o centro para Timothy Dalton, que protagonizou apenas dois longas 007 Marcado para a Morte (1987) e 007 Permissão para Matar (1989). Ele tinha formação shakespereana, tinha lido todos os livros de Fleming e fisicamente era uma mistura de Roger Moore e James Stewart. Mostrou um James Bond mais realista, mas foi rejeitado pelo público. Era bem diferente de Pierce Brosnan, que é um 007 cheio de clichês, com seu carrão, suas mulheres e seu dry martini.
Brosnan, aliás, está rodando seu quarto longa na pele do agente secreto inglês. Die Another Die, o vigésimo título da série, está previsto para chegar às telas em novembro com direção de Lee Tamahori. Terá uma ponta e a canção-tema de Madonna. A bond-girl da vez será a atriz Halle Berry, dando continuidade à galeria que já ostentou nomes como Ursula Andress e Barbara Carrera. Desta vez, a saga do herói será ambientada na Inglaterra, nas Coréias, na Islândia e no Havaí.
A missão é impedir que um vilão use uma arma de poder devastador para a Terra. Na aventura, terá ajuda das geringonças do cientista maluco Q (agora vivido por John Cleese, desde a morte de Dermod Moore), da chefe do serviço de inteligência britânico M (Judy Dench) e da charmosa secretária Mr. Moneypenny (Samantha Bond). Talvez, a estréia do longa no Brasil coincida com o lançamento do livro de Torelli.
Fiz o livro para comemorar o cinquentenário do persongem, e não para celebrar os quarenta anos da série cinematográfica revela. O volume terá 200 páginas mesclando texto e ilustrações. Além dele, a editora Opera Graphica prepara outra publicação dedicada ao personagem: a coletânea de tiras inglesas originais 007 James Bond O Homem da Pistola de Ouro, com roteiro de Ian Fleming e desenhos de Horak.


