Eduardo Torelli prepara o lançamento do livro ‘‘Sexo, Glamour e Balas’’, que conta a trajetória do mais famoso agente secreto do cinema e da literatura
Ele dispensa apresentações. É Bond, James Bond, o espião 007 a serviço de sua Majestade. A série de cinema está comemorando 40 anos com o lançamento do vigésimo filme, ‘‘Die Another Day’’, previsto para chegar às telas em novembro. Em 2003, será a vez do personagem criado pelo escritor Ian Fleming festejar seu cinquentenário.
Na esteira das datas redondas, o Brasil contribui para celebrar as efemérides com a publicação do livro ‘‘Sexo, Glamour e Balas’’, a ser lançado no final do ano pela editora Opera Graphica. O volume, de autoria do paulistano Eduardo Torelli, conta a trajetória do mais famoso agente secreto da literatura e do cinema dedicando blocos temáticos respectivamente aos livros da série, às versões para o celulóide e ao culto do herói enquanto fenômeno cultural de massas.
‘‘Ele atingiu um estágio mítico como Batman ou Super-Homem’’ – diz Torelli, por telefone. ‘‘Eu nasci na era audiovisual, mas sempre fui mais ligado aos livros do que aos filmes dele. Conheci a obra de Fleming vasculhando sebos no início da década de 80. Na época, eu assistia aos filmes apenas na televisão porque ainda não tinha idade para frequentar o cinema. O personagem me fascinou e fui atrás dos livros da mesma forma que os moleques de hoje, que assistiram ao X-Men no cinema, correram atrás dos gibis. Bond já era famoso na literatura, já causava polêmicas. Tinha um quê de xenofobia contra a Alemanha, que era o temor dos ingleses durante a 2ª Guerra Mundial’’.
Os livros, segundo ele, traziam elementos proféticos em suas páginas. Como exemplos, cita a guerra bacteriológica, as conspirações internacionais e as células terroristas. Torelli lamenta a ausência da obra de Fleming no mercado editorial brasileiro. Lembra que a editora gaúcha L&PM chegou a lançar três volumes recentemente, cancelando o restante da série. ‘‘Foi uma frustração, porque no exterior os títulos de James Bond nunca saem de catálogo. Há, inclusive, edições acessíveis em formato de pocket books’’ – salienta.
Fleming escreveu 12 novelas de ficção e duas coletâneas de contos. A série teve continuidade com outros escritores, mas Toreli deteve-se apenas no autor original. Ao analisar a adaptação cinematográfica de 007, ele observa que as primeiras versões mantinham mais fidelidade à ficção dos livros. ‘‘Depois exploraram mais os efeitos, o lado fantástico’’ – diz. Ainda segundo ele, a ameaça dos russos e alemães – que fornecia uma tensão geo-política à trama – também teria sido apaziguada no cinema.
Contestando o quase consenso em torno de Sean Connery, considerado o ator que melhor representou o personagem nas telas, ele transfere o centro para Timothy Dalton, que protagonizou apenas dois longas – ‘‘007 Marcado para a Morte’’ (1987) e ‘‘007 Permissão para Matar’’ (1989). ‘‘Ele tinha formação shakespereana, tinha lido todos os livros de Fleming e fisicamente era uma mistura de Roger Moore e James Stewart. Mostrou um James Bond mais realista, mas foi rejeitado pelo público. Era bem diferente de Pierce Brosnan, que é um 007 cheio de clichês, com seu carrão, suas mulheres e seu dry martini’’.
Brosnan, aliás, está rodando seu quarto longa na pele do agente secreto inglês. ‘‘Die Another Die’’, o vigésimo título da série, está previsto para chegar às telas em novembro com direção de Lee Tamahori. Terá uma ponta e a canção-tema de Madonna. A ‘‘bond-girl’’ da vez será a atriz Halle Berry, dando continuidade à galeria que já ostentou nomes como Ursula Andress e Barbara Carrera. Desta vez, a saga do herói será ambientada na Inglaterra, nas Coréias, na Islândia e no Havaí.
A missão é impedir que um vilão use uma arma de poder devastador para a Terra. Na aventura, terá ajuda das geringonças do cientista maluco Q (agora vivido por John Cleese, desde a morte de Dermod Moore), da chefe do serviço de inteligência britânico M (Judy Dench) e da charmosa secretária Mr. Moneypenny (Samantha Bond). Talvez, a estréia do longa no Brasil coincida com o lançamento do livro de Torelli.
‘‘Fiz o livro para comemorar o cinquentenário do persongem, e não para celebrar os quarenta anos da série cinematográfica’’ – revela. O volume terá 200 páginas mesclando texto e ilustrações. Além dele, a editora Opera Graphica prepara outra publicação dedicada ao personagem: a coletânea de tiras inglesas originais ‘‘007 – James Bond – O Homem da Pistola de Ouro’’, com roteiro de Ian Fleming e desenhos de Horak.

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