Assim como a lancha do caçador de tesouros Ben Finnegan (Matthew McConaughey) na primeira sequência do filme, esta pretensa comédia de aventuras vai fazendo água por todos os lados e termina indo a pique sem qualquer possibilidade de resgate. É evidente que o produto foi concebido sem pretensões, passatempo ligeiro. Mas uma coisa é realizar um filme leve e outra é fazer é fazer deste filme um exemplo de chateação que chega às raias do aborrecimento. Nem a dupla romântica de McConaughey com Kate Hudson, que até funcionou direitinho em ''Como Perder um Homem em 10 Dias'', nem a sólida experiência de Donald Sutherland (aliás, nada convencido de seu papel) salvam o filme do naufrágio completo.
Matthew e Kate são um casal à beira do divórcio em Key West, e de fato consumam a separação por conta de divergências entre a moça, historiadora, e o rapaz, caçador de tesouros submersos. O motivo da desavença: um galeão espanhol do século 18 afundado no Caribe, que ela quase localizou não fosse pela irresponsabilidade do marido. Assim, missão e casamento se perdem.
Ou quase, não fosse o argumento construído para tudo dar certo, com o happy end de praxe. Ao longo da insípida história, vilões e semi-vilões com grau de duvidosa lucidez se apresentam para armar confusões. Entre outras, digamos, distrações do roteiro mambembe, falta eficácia humorística e sobre esquematismo. Muito mais narrada oralmente do que em imagens, o filme vai oscilando entre farsa mais ou menos light e surpreendente violência.
Um modelo aparentemente tomado ao longo da narrativa, mas sem o mínimo fôlego nem sequer para uma imitação barata, foi com certeza o de ''Tudo por Uma Esmeralda'', aquela inspirada farsa realizada em 1984, com Michael Douglas convivendo entre tapas e beijos e perigos com Kathleen Turner. Pena que o diretor aqui, Andy Tennant, não tenha aquela boa pegada de Robert Zemeckis. (C.E.L.J.)

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