O NAUFRÁGIO DE UM SONHO
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sexta-feira, 16 de janeiro de 1998
Celso Mattos Londrina 
ReproduçãoOs personagens de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet vivem uma grande paixão poucas horas antes de o navio ir a piqueAo entrar no cinema para assistir ao filme Titanic, o espectador não vai se deparar apenas com a maior tragédia marítima deste século, mas também com a produção cinematográfica mais cara da história de Hollywood, com um orçamento que atingiu os US$ 300 milhões. Nesse caso, o filme precisa render US$ 500 milhões para o investimento valer a pena. Uma tarefa que parece viável, considerando que Titanic arrecadou US$ 88 milhões em apenas 10 dias de exibição nos Estados Unidos.
Através das lentes do diretor James Cameron, o público vai reviver o naufrágio de um sonho que se tornou num pesadelo na noite do dia 14 de abril de 1912, quando o mais luxuoso transatlântico levou 1.500 pessoas à morte nas águas geladas do Atlântico Norte, próximo à Groelândia. Além de tantas vidas perdidas, o acidente também marcou o fim da era da inocência, afetando a confiança depositada no progresso e na tecnologia. Para tornar o filme ainda mais emocionante, Cameron incluiu o romance fictício de Rose DeWitt Bukater (Kate Winslet), uma jovem americana de 17 anos, sufocada pelos rígidos padrões e expectativas da sociedade tradicional, com Jack Dawson (Leonardo DiCaprio), um artista plástico pobretão, que viaja em acomodações de terceira classe.
Juntos, eles vivem uma história de amor pura e poética que vai consumir metade das 3 horas e 15 minutos do filme. Na verdade, Titanic é uma história de injustiças sociais. No acidente morreram 1.500 dos 2.200 passageiros porque não havia botes salva-vidas suficientes. Portanto, os barcos foram reservados preferencialmente para os ricos. Conta-se, inclusive, que os compartimentos mais modestos foram trancados durante o naufrágio para evitar que os passageiros subissem para a ala dos favorecidos e atrapalhassem o processo de salvamento da elite.
PerfeccionismoO filme é narrado pela atriz Gloria Stuart, 87 anos, que abandonou o cinema logo após a Segunda Guerra. Resgatada do túnel do tempo por James Cameron, ela interpreta o personagem de Rose DeWitt, nos dias atuais, e conta suas lembranças do naufrágio e a paixão arrasadora pelo jovem Jack Dawson, um recurso utilizado pelo diretor para aproximar a platéia de um acidente ocorrido há quase 100 anos.
O alto custo da produção de Titanic se deve ao perfeccionismo do diretor que, além de exigir a construção de uma réplica fidelíssima do navio, não abriu mão de decorar o interior do transatlântico da forma mais realista possível. Ele fez questão que toda a louça usada no restaurante fosse uma cópia fiel dos pratos, talheres e copos originais do Titanic. Até mesmo uma placa de puxe de uma das portas, Cameron exigiu que fosse idêntica à original. Sua mania pelos detalhes foi tão grande que ele chegou a ficar dois dias consecutivos diante dos computadores apenas para alterar o vôo de uma gaivota em torno do Titanic, alegando que aquela espécie não era a correta.
O filme levou 27 semanas para ser filmado e devido aos milhões de dólares que estavam sendo gastos na produção, uma comissão da Fox foi pessoalmente ao México, onde Titanic foi gravado, para propor cortes no roteiro numa tentativa de diminuir os gastos. Diante dessa proposta, James Cameron partiu para a ignorância e ameaçou se matar. Felizmente, ele não chegou a tanto, mas abriu mão de seu cachê e da sua participação nos lucros do filme. Graças à determinação de Cameron, o público vai ter a oportunidade de assistir a uma verdadeira obra de arte. O filme foi indicado para oito prêmios Globo de Ouro e é um forte concorrente ao Oscar.


