Albari RosaRoney Erthal: ‘‘... Eu nunca havia entrado em um museu porque
achava que precisava pagar para ver o que havia lá dentro’’Como dizia Paul Lafarge, o genro anarquista de Karl Marx, todos têm direito à preguiça. Não é de hoje que os artistas defendem o ócio como propulsor da criatividade. No popular, há o ditado: ‘‘mente desocupada, oficina do diabo’’. Tudo isso se aplica de uma ou outra maneira à tardia iniciação artística do muralista Roney W. Erthal, o ‘‘Poty de São Jos钒.
Somente aos 34 anos, graças ao tempo vago que tinha no emprego, ele começou a desenhar e hoje espalha sua arte em exposições e principalmente em grandes murais da cidade de São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba.
Roney é autodidata que tem traços firmes para desenhos quase ingênuos, mas cheios de sinceridade, expondo sua força interior. Esses traços começaram a surgir há cerca de oito anos, quando o artista era um trabalhador, chefe de almoxarifado de uma empresa de auto-peças.
Tempo‘‘Tinha muito tempo livre e, para me distrair, comecei a produzir alguns desenhos’’, explica. A produção não foi pequena, fazia cerca de dez desenhos por dia, mais de 500 em poucos meses. ‘‘Nesta época - 1989 - eu nunca havia entrado em um museu porque achava que precisava pagar para ver o que havia lá dentro’’, confessa.
Um dia, impulsionado pela jornalista e crítica de arte Nilza Procopiak, inscreveu alguns desenhos em um concurso e, para sua alegria e surpresa, foi selecionado. Até então, o mais próximo que alguém da sua família havia chegado das artes plásticas era seu irmão Osmar, que pintava out-doors à mão, mas era um trabalho mais técnico que artístico. O irmão morreu quando Erthal tinha apenas dois anos.
As artes já haviam entrado na vida de Roney através da música. Ele tocava guitarra e violão em bares e casas noturnas, animando bailes e festas. Desenho, só o das notas musicais escritas sobre a pauta.
São JoséA inclusão de seus desenhos na mostra foi o empurrão que faltava. Em seguida, inscreveu trabalhos para outro concurso, desta vez em São José dos Pinhais. Seus desenhos foram reconhecidos como da mais pura arte pela escritora Eulália Maria Radtke, que viria a ser a grande incentivadora do ex-almoxarife.
Alguns anos depois, Eulália se tornaria secretária da Cultura de São José dos Pinhais e convidaria Erthal a produzir seu primeiro mural: ‘‘Memorial 300 Anos de História’’, instalado na cidade desde 1995.
De lá para cá, foram mais sete obras públicas, seis delas em São José dos Pinhais. A mais recente é de maio de 97, um mural no Museu Municipal, sobre ecologia. Além disso já fez várias exposições individuais e coletivas e participou de Salões de Artes Plásticas em Curitiba, Jacarezinho, Maringá, mas principalmente na vizinha cidade de Curitiba. A relação com S. J. Pinhais é tão grande que ele, apesar de morar em Curitiba, transferiu para lá o título eleitoral.
PotyComo não poderia deixar de ser, o ídolo artístico é Poty Lazzarotto, o grande muralista de Curitiba, com quem nunca trocou uma palavra. ‘‘O Poty não usa régua em seus trabalhos, faz as coisas de um jeito que parece um rascunho, mas é muito bonito’’, admira-se.
Outra fonte de beleza para ele são as marinas de Calderari. ‘‘Eu não consigo fazer aquelas nuvens, aquele sombreamento’’, admite.
Roney W. Erthal, no entanto, divide com Poty e Calderari as páginas do Dicionário de Artes Plásticas do Paraná, produzido pela jornalista, professora e crítica de arte Adalice Araújo. Coisa que nem sonhava quando matava o tempo desenhando nos longos e enfadonhos dias de almoxarife.

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