Verdadeiramente o ''festival de todas as músicas'', o Festival de Música de Londrina, mantém a tradição de investir em uma formação que privilegie a diversidade. Um exemplo é a oficina Prática de Músicas do Mundo, ministrada esta semana por Gabriel Levy. Professor de acordeón e integrante de vários grupos que exploram a tradição musical de outros países, Levy trouxe para os alunos um amplo repertório, com sons da Turquia, Grécia, Bulgária, Romênia, Egito e outros países da região dos Bálcãs e Mediterrâneo Oriental.
Através da oficina, os alunos entram em contato com a sonoridade e as peculiaridades da música de cada país. ''Há compassos aos quais os brasileiros não estão habituados, como os de 5, 7, 9 e 11 tempos. No Brasil geralmente se usam 2, 3 ou 4 tempos'', compara Levy. O músico exemplifica ainda que a música oriental tem uma afinação intermediária entre o mi e o mi bemol, ao qual nosso ouvido não está habituado. ''Às vezes a pessoa acha a música árabe meio desafinada, mas é o nosso ouvido que não está preparado para perceber essa alta afinação'', comenta.
Mas, longe de explorar todas as diferenças, o professor pretende promover uma aproximação das sonoridades. ''Não quero chocar, mas fazer com que o aluno se sinta familiarizado e confortável para conhecer outras músicas'', afirma.
O curso está ligado a outro, de Música e Danças Étnicas, de Betty Gervitz, que começa hoje. O resultado será apresentado no domingo, com a orquestra de uma oficina acompanhando as danças de outra, em uma apresentação aberta ao público. Gabriel e Betty atuam juntos em São Paulo no projeto Música e Dança, de resgate da tradição das danças circulares nas praças, com os músicos no centro e as rodas ao redor.
Ao todo, o FML está oferecendo 57 cursos este ano, com 44 professores e cerca de 700 alunos inscritos. De músicos profissionais a leigos, na música erudita ou popular, todos encontram espaço dentro desse universo.

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