Chamado de ''o poeta da violência'', Peckinpah criou um estilo visual poderoso e histórias sobre homens sem esperança. Influenciou Tarantino, John Woo, Takeshi Kitano, Brian de Palma e todo o cinema de ação pós-70.
Sua marca registrada é a montagem fragmentada, em que a mesma cena é filmada de vários ângulos, com lentes variadas e diferentes velocidades, e montada de forma a obter máximo de impacto visual. Nos filmes de Peckinpah, tiroteios parecem balés. Ninguém jamais usou a câmera lenta como ele. Isto pode ser visto em dois lançamentos de filmes dele que chegam este mês ao mercado: ''Pat Garrett e Billy the Kid'' (1973) e ''Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia'' (1974).
O tema central de sua obra é o homem em um mundo hostil. Seus personagens parecem viver na época errada: são velhos desesperançados habitando o crepúsculo da vida. Não há jovens no mundo de Peckinpah, ou alegria.
Em ''Pat Garrett e Billy the Kid'', Peckinpah reescreveu a história de duas lendas do oeste americano. Pat Garrett (James Coburn) e Billy the Kid (Kris Kristofferson) são ex-parceiros que se veem em lados opostos da lei. Bob Dylan compôs a música do filme e faz uma ponta.
O filme marcou um dos períodos mais conturbados da vida de Peckinpah: afundado no alcoolismo, terminou a produção com atraso e estourou o orçamento.
Irritado, o presidente do estúdio mandou cortar quase 20 minutos da versão do diretor, tornando a história incompreensível e prejudicando a bilheteria. Mas a versão que sai no Brasil é a integral.
Decepcionado com Hollywood, Peckinpah foi ao México fazer ''Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia'', rodado com uma equipe local.
Nas cenas iniciais, um senhor de terras mexicano põe um prêmio na cabeça do rapaz que engravidou sua filha. E a escória dos EUA e México parte atrás dele.
Ao bando se junta um pianista de bordel (o fabuloso Warren Oates) que, com a ajuda de uma prostituta (Isela Vega), descobre uma pista sobre o paradeiro do fugitivo.
O filme é do tipo ''ame ou odeie''. Quando lançado, alguns o consideraram uma obra-prima. Outros, um dos piores filmes já feitos.
De fato, não é fácil gostar do filme: é um ''road movie'' sanguinolento, com personagens repulsivos e cenários que variam de bordéis imundos a cemitérios abandonados. Mas é uma das obras mais intensas e pessoais de Peckinpah e ecoa os sentimentos anti-Hollywood que ele sempre demonstrou.
SERVIÇO
- PAT GARRETT E BILLY THE KID
Quanto - R$ 29,90
Classificação - 14 anos
- TRAGAM-ME A CABEÇA DE ALFREDO GARCIA
Quanto - R$ 49,90
Classificação - 18 anos

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