O MUNDO EM QUADRINHOS
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de novembro de 2000
Emerson Dias De Foz do Iguaçu 
Os fãs de HQs terão em breve um verdadeiro templo contendo publicações que vão dos comtemporâneos Spirit e Valentina, passando por séries famosas da década de 40 e 50 como Flash Gordon e Dick Tracy, até chegar a folhetins raros datados do século passado. Uma cooperativa de pesquisadores está catalogando em Foz do Iguaçu a maior gibiteca do Brasil e uma das mais completas da América Latina, contendo mais de 20 mil edições de 22 países entre revistas, jornais e literatura sobre o tema.
Todo o material pertence ao Centro de Altos Estudos da Consciência (Ceaec) e está armazenado em uma holoteca que, entre outras curiosidades, possui jornais de todo o mundo (145 títulos) e uma coleção com cerca de 600 livros autografados. Os quadrinhos estão sendo classificados por temas (terror, ciência, cinema, etc), data de publicação e coleções. Os nostálgicos poderão se deliciar com antigas séries (completas) como Lobinho, Mirim, Guri e a famosa Gibi, aquela que virou sinônimo das revistinhas no Brasil. Para os fanáticos por faroeste, além de contar centenas de volumes com principais representantes do estilo (vide Tex e Tenente Blueberry, entre outros), existem edições curiosas como a entitulada John Wayne (1940).
Mas são os exemplares estrangeiros que mais chamam a atenção. Além de exotismos como um Popeye em hebraico e um Mickey em árabe, produções francesas, norueguesas e principalmente alemãs se destacam pelas capas duras em formato luxo, assim como suas histórias sequenciadas página a página (sem a quebra dos quadros) e o requinte das publicações. A série desenhada por Wilhelm Busch em 1974, por exemplo, é formada por sete livros guardados em uma caixa estilizada. Os formatos também dão brilho à coleção, começando desde minigibis com 5x3 centímetros até obras com 70x40 centímetros.
Quanto às histórias guardadas a sete chaves, vale destacar um Almanaque Juquinha de 1923 e a primeira edição brasileira especial do Super Homem (1938). As maiores raridades do acervo, porém, são os folhetins do século passado, época em que os conhecidos balões não haviam sido incorporados aos desenhos. Vida Fluminense, de 1868, conta picantes e burlescos contos sobre o dia-a-dia do Rio de Janeiro, destacando curiosidades políticas e sociais do Segundo Reinado e até as conquisas brasileiras durante a Guerra do Paraguai (1865-1870).
O registro das obras deve durar pelo menos seis meses. Depois de catalogadas, as histórias em quadrinhos finalmente serão liberadas ao público.


