O mundo dos contos de Natal
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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
No Natal, nenhuma outra notícia é mais aguardada pelas crianças do que as que vêm do Pólo Norte e, ninguém melhor do que J.R.R. Tolkien (1892-1973), criador do mundo fantástico de ''O Senhor dos Anéis'', para ser o informante da terra do Papai Noel. Um lugar que sua literatura, habitada por elfos e seres míticos, revelou aos próprios filhos, através de cartas escritas durante 14 anos.
A história dessas cartas em si já é mágica. Assim como Tolkien, outros autores também criaram obras inspiradas na magia ou no verdadeiro sentido da festa natalina. Contos e poesias que sempre trazem mensagens novas no Final de Ano.
As ''Cartas do Pai do Natal'', de Tolkien eram recebidas pelos filhos na Noite de Natal. Escritas com letras aracnóides e desenhos belamente coloridos, as cartas narravam histórias fantásticas, desde como o Pai do Natal preparava os brinquedos às travessuras do seu urso polar e os amigos que frequentavam sua casa, como bonecos de neve, elfos e o homem da lua. Também contavam sobre as batalhas contra os malvados duendes que ameaçavam a saída do trenó de renas.
Um Natal menos fantasioso e mais existencialista foi criado pelo escritor russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881) no conto ''A árvore de Natal na Casa de Cristo''. O conto narra a história de um menino pobre e faminto, com a mãe à beira da morte. Os dois viviam num porão. Depois da morte da mãe, o garoto ganha as ruas. Perambulando pelas vitrines das lojas, o menino fica encantado também com as festas que vê através das janelas. A mensagem do Natal está em todos os pormenores da história. Na pobreza do menino e na sua redenção, como a de todos os que sofrem.
Já o escritor inglês Charles Dickens (1812-1870) foi o autor de um dos mais famosos contos natalinos ''A Christmas Carol'' ou ''Um Cântico de Natal''. Escrito em menos de um mês - era um texto de encomenda para o pagamento de dívidas - tornou-se um clássico ao contar a história do avarento Ebenezer Scrooge, que não gostava do Natal.
Sem neve e renas para ajudar a contar uma boa história natalina, Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), no poema ''Papai Noel às Avessas'', recorreu ao bom humor para falar sobre o Natal.
Apesar de contrariar as expectativas dos leitores sobre o Bom Velhinho, Drummond, assim como outros autores, fez da festa natalina um argumento para boas histórias, que merecem ser lidas na Noite de Natal.
''Papai Noel entrou pela porta dos fundos
(no Brasil as chaminés não são praticáveis)
(...)Depois tirou do bolso um cigarro que não quis acender.
Teve medo talvez de pegar fogo nas barbas postiças
(no Brasil os Papais Noéis são todos de cara raspada).''


