Kraw Penas



A exposição ‘‘Material Sensível’’ faz um apanhado de imagens dos objetos que convivem com os fotógrafos no dia-a-dia

Albari Rosa

O fotojornalista Kraw Penas, em ação, durante o verão, captando imagens para a Folha

O mundo do fotógrafo em exposição
O fotógrafo Kraw Penas mostra em 15 imagens em exposição no Café Curaçao os objetos do cotidiano da fotografia
Simone Mattos
Objetos que fazem parte do cotidiano de um fotógrafo, como filmes, bobinas e espirais para revelação, foram registrados pela câmera de Kraw Penas. Quinze fotos em preto e branco, retiradas deste material, poderão ser vistas na exposição ‘‘Material Sensível’’, que será inaugurada nesta quarta-feira, no Café Curaçao, em Curitiba.
O principal objetivo da mostra é o de provocar os olhares para as coisas que normalmente passam desapercebidas. ‘‘É uma tentativa de dar vida a estes objetos’’, explica Penas, fotógrafo da Folha.
Com 34 anos de idade e 17 de profissão, ele comenta que raramente as pessoas param para perceber a riqueza de formas e luzes do material existente nos laboratórios de fotografia. ‘‘A exposição é uma retribuição aos objetos que nos ajudam no dia-a-dia’’, diz.
Filho de fotógrafo, Penas explica que, para ele, a magia da fotografia se perdeu em sua infância. A prematura convivência com a arte acabou com o deslumbramento, mas não diminuiu o seu interesse.
O encantamento inicial, no seu caso, foi substituído rapidamente pela sensação de que é possível tranformar e dominar a fotografia. ‘‘Apesar disto, sempre há o que aprender’’, confessa.
Penas começou a trabalhar com fotografia na adolescência, ‘‘antes disso, na infância, eu não fazia idéia de que também seria fotógrafo’’, explica. Tudo começou com o primeiro emprego, como office boy, num estúdio de fotografia publicitária, onde foi promovido rapidamente a laboratorista.
Entrosado com o mercado local da publicidade, Penas trabalhou durante cinco anos em importantes agências, como a Meta e a Exclam, onde conviveu com ‘‘feras’’ da publicidade nacional. Em 1992, ingressou no jornalismo, trabalhando no jornal Indústria e Comércio.
‘‘Para todo o tipo de fotografia, o processo é o mesmo’’, explica. Da época em que trabalhava com publicidade, ele trouxe os conceitos de estética mais apurada e altas doses de criatividade. Isso ajuda hoje, na prática diária da fotojornalismo. ‘‘A diferença é que, ao invés de vender um produto, você precisa vender uma notícia’’, explica.
Fotógrafo da Folha desde 1994, Penas participou recentemente da coletânea ‘‘Calendário de Borracharia’’, feita pela ArtOffice, que reuniu grandes nomes da fotografia local. Embora não haja projetos para retornar à fotopublicitária, ele vacila para responder se prefere a publicidade ou o jornalismo. ‘‘Eu prefiro a fotografia’’, resume.
A exposição ‘‘Material Sensível’’, de Kraw Penas, estará no Café Curaçao (Rua Senador Xavier da Silva, 210, fone 224-6086) de 3 de março a 3 de abril.

mockup