O mundo do circo e uma história de amor
Valmir Santos
Agência Folha
A história de amor entre o poeta Fagundes Varela (1841-1875) e a exímia amazona Alice Guilhermina Luande, incomparável em truques sobrenaturais e incríveis, costura o romance O Fantasma do Circo (Edição Massao Ohno e Robson Breviglieri), livro de Verônica Tamaoki recém-lançado.
Editado por Massao Ohno e Robson Breviglieri, a obra de Tamaoki agrega à ficção registros históricos de um século de circo no Brasil. Alice foi sempre relegada a segundo plano pelos biógrafos do poeta, na condição de artista de circo. Ela estampa a capa do livro na foto de Pierre Verger, flagrada espiando o picadeiro pela coxia, um dos pecados de quem segue a tradição circense (nunca olhar o colega pela fresta da cortina nos bastidores).
Pela sua trajetória pessoal - abandonou o circo para casar com Varela, mas nunca mais foi feliz fora da lona-, Alice é considerada a grande mãe do circo brasileiro.
A narrativa inclui outros personagens verdadeiros, como Benjamin de Oliveira, um dos primeiros palhaços negros do picadeiro, e Piolin (Albelardo Pinto), cuja história contaminou a antropofagia literária de Oswald de Andrade, também ele citado em O Fantasma do Circo. E ainda estão lá Mário de Andrade, Tarsila do Amaral, Lina e Pietro Maria Bardi, Jorge Amado e outros nomes da cultura nacional. No início, Tamaoki, 41, desejava escrever uma peça sobre o universo do circo, no qual ela atua desde o final da década de 70, quando matriculou-se na extinta Academia Piolin de Artes Circenses, em São Paulo. Foi lá que aprendeu o ofício de malabarista e equilibrista. Mas depois o texto foi se transformando, misturando referências autobiográficas com dados da minha pesquisa, até resultar no romance, explica.
Tamaoki também é autora de Circo Nerino (1913-1964), projeto que ganhou um catálogo do Sesc São Paulo, dois anos atrás, e espera o bom senso de alguma editora para publicá-lo.





