O mundo das sequóias gigantes
Do Yosemite, partindo pela CA 140 até Merced, pega-se a US 99 para Fresno, e, de lá, a CA 180. O caminho é margeado por extensas plantações de uva e maçã até o início da serra que conduz rapidamente às alturas do Parque Nacional do Kings Canyon. A paisagem é estarrecedora. Uma sequência de vales e rochas esculpidas a perder de vista, que se prolongam por 2.500 metros de queda livre até onde corre o Kings River. É considerado o mais profundo cânion do continente, mais até do que o badalado Grand Canyon no Arizona.
Vizinho do Kings Canyon está o Parque Nacional Sequoia. São parques contíguos que exibem uma rica vida selvagem e possuem histórias diferentes. A do Sequoia é bastante antiga. Começou com a Corrida do Ouro e a chegada dos migrantes que passaram a derrubar as árvores do parque num ritmo frenético, soando o alarme entre os conservacionistas. Foi então que entrou em cena um jornalista da cidade próxima de Visalia.
George Stewart, considerado o pai do parque. Ele conseguiu unir a população e movimentar o país até transformar a área no segundo parque nacional americano a ser criado, em 1890 poucos meses antes do Yosemite (o primeiro foi Yellowstone, em 1872). O Kings Canyon surgiu bem depois, em 1940. O contraponto da lotação do Yosemite são esses parques, quase sempre vazios de turistas. Os motivos são vários: têm infra-estrutura bem mais simples, ficam mais longe dos grandes centros, a maior parte de suas atrações só pode ser feita a pé, e o parque tem neve quase o ano todo (de setembro a abril). As acomodações nos parques seguem a simplicidade da região, mas são bem aconchegantes.
O Sequoia abriga 34 bosques de sequóias gigantes, considerada a maior espécie viva da terra. A árvore do General Sherman, por exemplo, tida como a campeã, alcança 84 metros de altura, mede 11 metros na base, pesa 1.385 toneladas e tem 3.200 anos de idade.
Para se ter uma idéia da grandeza dessas árvores, basta imaginar que elas são mais altas que a Estátua da Liberdade. No oco de algumas delas fazendeiros do século 19 chegaram a montar casas. Do tronco de uma árvore derrubada, formou-se um túnel que pode ser atravessado até por um carro. A energia de estar do lado destes seres tão antigos é impressionante. Pense que as cidades gregas estavam apenas se formando quando surgiram, anos-luz à frente do cristianismo ou da língua inglesa.
O cenário de floresta domina o norte do Sequoia. Para o oeste, uma sequência de campos secos de árvores de carvalho retorcidas pelo vento compõe o cenário à medida que se desce para o Vale de San Joaquin. Ao sul, a terra baixa radicalmente para formar cânions e rachaduras na terra, como Middle Fork e Kaweah River. E, finalmente, para o leste estão as altas montanhas da Serra Nevada. Lá está o Monte Whitney, pico mais alto dos Estados Unidos continental. Com 4.420 metros, seu cume foi alcançado pela primeira vez em 1873. Para chegar ao topo é preciso encarar uma trilha íngreme de 18 quilômetros a partir do vilarejo de Lone Pine. Aos conquistadores do cume, um prêmio pelo esforço: a visão panorâmica de boa parte da serra permite dimensionar o que é estar por cima de uma terra de gigantes.





