O mundo da dança dá adeus a Pina Bausch
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terça-feira, 30 de junho de 2009
Beth Néspoli<br> Agência Estado 
Morreu ontem, aos 68 anos, a coreógrafa alemã Pina Bausch, a artista que dissolveu os limites entre teatro e dança, sem dúvida uma das mais importantes e influentes personalidades da artes cênicas no século 20. Pina, que faria 69 anos no dia 27, e viria ao Brasil mais uma vez em setembro, morreu no hospital ''de forma rápida e inesperada apenas cinco dias após ter recebido o diagnóstico de câncer'', informou Ursula Popp, a porta-voz do Tanztheater Wuppertal.
A Companhia, fundada por Pina em 1973, cujo raio de influência atingiu dançarinos do mundo inteiro, estava em apresentação na Polônia e vem ao Brasil com dois programas: ''Café Muller'', considerada um marco na carreira da coreógrafa e ''A Sagração da Primavera''. Os dois espetáculos integram a programação da Temporada de Dança do Teatro Alfa, e as apresentações devem ser mantidas.
Pina nasceu em Solingen, na Alemanha, em 27 de julho de 1940. Estudou na mais importante escola moderna de seu país, a Folkwang, em Essen. Um de seus méritos, apontam especialistas, foi recuperar o pensamento do coreógrafo Jean-Jacques Noverre cujo trabalho recebeu o nome de balé de ação.
Pina criou um fenômeno estético que os brasileiros puderam conferir com seus próprios olhos em 2007, quando ela e seus bailarinos apresentaram o balé ''Água'', que tinha o Brasil como fonte de inspiração.
Num dos números, uma bailarina entrava no palco com um travesseiro na mão e se acomodava para dormir. Ouviam-se sons de grilos e aves noturnas, que pouco a pouco aumentavam de volume e se transformavam num coral altissonante que não deixavam a moça dormir. Entre risos, o espectador se dava conta que compreenderia seu desejo de cortar todas as árvores. Humor, sinal de inteligência, estava entre as qualidades dessa artista.
Pina Bausch veio ao Brasil pela terceira vez em 1997 para apresentar pela primeira vez no País a ópera, ''Ifigênia em Tauris'', de Gluck, e a coreografia ''Cravos'', ambas no Teatro Municipal do Rio. O impacto visual da segunda - o palco era inundado por 8 mil cravos vermelhos - foi tão intenso que, ao contrário das visitas anteriores, desta vez sua obra agradou ao grande público.


