O Multi Chef pintou um risoto de rosa!
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sexta-feira, 08 de maio de 2020
Coluna Multi Chef 
Deu tudo errado! Ou melhor, deu muito certo! Semana passada, tive a coragem (para não dizer a pachorra) de escrever nesta coluna, neste espaço precioso da Folha de Londrina, que sou especialista em risotos. Não. Também não é assim. Escrevi, na realidade, que minha especialidade são os risotos. Praticamente o único prato que, de modo efetivo, sei cozinhar com facilidade. Invento, reinvento, repito e crio sabores diferentes. Até agora nenhum deles ficou ruim. Até que, dois dias depois dessas palavras terem sido publicadas por aqui, eis que meu risoto ficou rosa. Sim! Ele simplesmente ficou rosa!

Algo diferente? Algo anormal? O sabor, como de sempre: queijo, alho poró e limão siciliano. O que ficou delicioso, aliás. Ao menos foi o que disseram meus compadres Pedro Velasque e Isabela Duarte, que vieram jantar em casa. Até o pequeno Gregório, meu afilhadinho de pouco mais de 1 ano, gostou – ele experimentou um teco. A foto, inclusive, ficou linda! Ao lado do vinho que tomamos, e junto com ele, harmonizou muito bem! Penso até que devo repeti-lo, qualquer dia. Ou, então, inventar algo novo, uma cor diferente, utilizando o que for mais natural possível.
O fato me lembrou certa vez que fui cozinhar um risoto como de costume. Naquele dia, era de queijo gorgonzola, limão siciliano e tiras de filé mignon. Mas não havia disponível nenhuma tacinha disponível de vinho branco. Nem pensei em usar algum conhaque, vodka ou whisk para ajudar a soltar o amido, no início do preparo. Então, acabei utilizando uma taça do vinho tinto que estávamos degustando. Não deu outra, pintei o arroz de roxo. Ficou estranho, mas nada diferente do normal. Delicioso como sempre – como vocês já devem ter percebido, gosto bastante dos meus risotos.
Então, me dei conta do que, exatamente, havia ocorrido: a coloração rosa foi obtida a partir do derretimento da casca colorida do queijo gouda. Esta foi a primeira vez que usei esse tipo de queijo. Quando cozinho com o brie, a casca banca derrete, mas se mistura à coloração do restante do prato. O mesmo acontece com o provolone, que fica mais amarelado, nada fora do comum. Nada de pânico! A casca rosa do gouda é assim por causa de corante natural comestível que não prejudica em nada a saúde. Se podemos comê-lo em pedaços, por que não derretido?
Esse tipo de revestimento tem a função de conservar o próprio queijo e protegê-lo de fungos e bactérias. Comê-los depende do paladar de cada um. Aliás, esta minha “invenção” pode ser usada com crianças, brincando com elas na hora de comer: quem nunca imaginou degustar uma comida rosa? A sobremesa, aliás, foi um danoninho feito em casa. Tudo rosa! E ficou tudo bem? Alguém aí já pintou a comida de rosa?


