'O Mosaico da Minha Vida' traduz novas formas de família
Livro infantil escrito por mãe e filho trata com delicadeza da capacidade humana de reorganizar vínculos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de maio de 2026
Livro infantil escrito por mãe e filho trata com delicadeza da capacidade humana de reorganizar vínculos
Da Redação 

Há histórias que não nascem de uma ideia, mas de uma necessidade. Não de explicar o mundo, mas de torná-lo um pouco mais compreensível, especialmente quando ele muda de forma diante dos olhos de uma criança. É desse território sensível que surge "O Mosaico da Minha Vida", o livro escrito por Bruna Fóglia em parceria com o filho, Vitor Fóglia de Salles Gonçalves.
A proposta parte de uma imagem simples, mas profundamente simbólica: o mosaico. Antes mesmo de apresentar sua história, o texto convida o leitor a entender essa ideia, fragmentos que, isolados, podem parecer apenas restos, mas que, quando reunidos, constroem algo novo, muitas vezes mais complexo e mais bonito do que o que existia antes.
A história acompanha Vitor, um menino que vê sua vida mudar após a separação dos pais. O que o livro faz, com precisão rara, é permanecer nesse lugar intermediário: o da criança que ainda não compreende completamente o que acontece, mas sente os efeitos dessa mudança em cada detalhe do cotidiano.
Nesse ponto, a experiência pessoal da autora se entrelaça com sua trajetória profissional. Advogada especializada em Direito de Família, Bruna lida diariamente com histórias de ruptura, reorganização e reconstrução de vínculos. “Nem toda mudança é uma perda. Muitas vezes, é o começo de um novo desenho”, afirma.
Esse entendimento, que no campo jurídico se traduz em novos arranjos familiares — guarda compartilhada, famílias recompostas, múltiplas referências afetivas —, ganha na literatura uma forma acessível, quase intuitiva. O que o livro faz é traduzir, para o universo infantil, aquilo que o direito contemporâneo já reconhece: família não é uma estrutura única, mas uma construção viva, que se reorganiza a partir dos vínculos.
Ao longo da narrativa, novas figuras entram em cena. É ali que o personagem começa a reconstruir seu cotidiano, a estabelecer novas referências. Padrastos, irmãos, novos avós, cada presença se soma, não como substituição, mas como expansão.
A escolha de construir o livro a quatro mãos, mãe e filho, é um dos elementos que mais fortalecem a obra. A presença de Vitor na escrita garante autenticidade ao olhar infantil, preservando nuances que dificilmente seriam reproduzidas por um adulto. Há humor, há espontaneidade, há pequenos detalhes que revelam a forma singular como a criança organiza o mundo ao seu redor. “Escrever foi uma forma de organizar o que eu sentia e mostrar que outras crianças também podem passar por isso”, diz.
Diagnosticado com autismo nível 1 e TDAH, Vitor descreve seu próprio funcionamento como um “mosaico em movimento”. Mais do que uma característica individual, isso amplia o alcance do livro ao sugerir que cada criança, com suas particularidades, constrói sua própria maneira de compreender as mudanças.
Sem recorrer a respostas fáceis ou a discursos moralizantes, "O Mosaico da Minha Vida" se insere em uma vertente da literatura infantil que respeita a complexidade emocional da infância. No fundo, o livro trata de algo que atravessa tanto o direito quanto a literatura: a capacidade humana de reorganizar vínculos e produzir novos significados a partir daquilo que, em um primeiro momento, parece apenas ruptura. E talvez seja essa a sua principal contribuição, mostrar, com delicadeza e precisão, que mesmo quando a vida se fragmenta, ainda é possível construir algo inteiro.
(com assessoria de imprensa)
Serviço
"O Mosaico da Minha Vida"
Lançamento: 15 de maio
Horário: 19h
Local: Livrarias Curitiba, em Londrina


