O mito Sarah Bernhardt
Sarah Bernhardt poderia ter sido tão-somente mais uma prostituta que vagava pelos leitos parisienses, não fosse o amor pelo teatro. Pediu a um dos amantes de sua mãe que a matriculasse num conservatório dramático, e assim fez da sua história, uma caminhada imortal. Nascida em 1844, tinha 51 anos quando veio ao Brasil para uma temporada no Municipal do Rio de Janeiro com Tosca. Ao jogar-se do alto do cenário, simulando um suicídio, arrebentou a perna no soalho duro. Não tinha colchões para sustentá-la na queda.
A tremenda incompetência do pessoal do teatro teve reflexos dez anos depois quando Sarah foi obrigada a amputar a perna. Mesmo assim ainda representou Shakespeare. Era uma unânimidade. Morreu em 1923 e transformou-se no mito que representa até hoje. Porém, o início não foi um mar de rosas. Estreou na Comédie Française em 1862, mas foi dispensada logo depois.
Passados sete anos, sentiu o gosto do sucesso em Le Passant, encenado no Teatro Odeón. Consagração mesmo veio com PhSdre, de Jean Racine, em 1874. Terminou seus dias ocupando-se também com a pintura e a escultura. (Z.C.L.)





