''O Mito das Digitais'' valoriza o silêncio
Inédito nos cinemas brasileiros O Mito das Digitais foi exibido no Sundance Festival em 1997, marcando a estréia na direção de Bart Freundlich, que também assina o roteiro. Mais uma vez o Dia de Ação de Graças - o mais importante feriado norte-americano depois do Dia da Independência - é o ponto de partida para este drama familiar no qual o mais importante são as palavras não ditas. O filme valoriza o silêncio dos personagens que, para não se magoarem uns ao outros, vivem suas dores de forma muito particular.
Ao assistir O Mito das Digitais é impossível não se lembrar de Feriados em Família, dirigido por Jodie Foster, porém sem o humor que conduz a história. O filme de Bart Freundlich é marcado por uma indigesta falta de diálogo entre pais, filhos e irmãos. Existem momentos em que o telespectador sente vontade de ser porta-voz dos personagens, colocando para fora as neuroses que os afligem de forma tão marcante. A trama gira em torno de quatro irmãos que resolvem passar o Dia de Ação de Graças na casa dos pais. A reunião familiar vai se tornando cada vez mais tensa, trazendo à tona antigos ressentimentos.
Ao mostrar os membros da família com personalidades tão apostas entre si, o diretor explica a origem do título do filme. Apesar de pertencer à mesma família, cada um tem particularidades tão diferentes quanto suas digitais. Bart Freundlich não conseguiu fugir aos clichês que rondam esse tipo de história, mas realizou uma obra honesta e com personagens interessantes. Ele abre e encerra a fita com um filme caseiro feito pelos pais quando os filhos ainda eram pequenos, mostrando as transformações que a família vai sofrendo com o decorrer dos anos.
O elenco reúne nomes da velha guarda do cinema como Roy Scheider e Blythe Danner (mãe da atriz Gwyneth Paltrow) e também a ala jovem como Noah Wyle, do seriado Plantão Médico, Michel Vartan, Hope Davis e Julianne Moore, indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante por Boogie Nights - Prazer sem Limites. Bart Freundlich levou três anos para escrever o roteiro de O Mito das Digitais que pode não ser grande coisa, mas revela momentos de muita ternura, a maioria deles reservados ao personagem Warren (Noah Wyle). Um jovem solitário e incapaz de superar a magoa que sente pelo pai. Um sentimento que o transforma num pássaro sem asas para voar em busca da tão sonhada liberdade. Lançamento da Columbia TriStar. Duração: 91 minutos. (C.M.)





