O mito Ava Gardner
ReproduçãoUm poeta a descreveu como o mais belo animal do mundoHá exatos oito anos - 26 de janeiro de 1990 -, o cinema perdia aquela que Hollywood patenteou como o mais belo animal do mundo. Debilitada por uma pneumonia, Ava Gardner deixava esta vida aos 67 anos para entrar na história como uma das atrizes mais rebeldes dos meios cinematográficos americanos, por sua beleza marcante e pela voracidade com que sorvia sem parar conhaque, tequila e o que mais lhe oferecessem.
Independente e impetuosa, foi uma crítica severa da Hollywood que a fez uma de suas estrelas favoritas no final dos anos 40 e em toda a década de 50. Um de seus grandes sucessos foi A Condessa Descalça, com Humphrey Bogart e Rossano Brazzi.
Ava fez filmes suficientes para ganhar um lugar na história do cinema e no coração de fãs do mundo inteiro. Desde sua estréia em 1942, com Tu és a Única, depois de descoberta por Louis B. Mayer, o todo poderoso chefe da Metro. Porém, sua estrela só começou a brilhar após a guerra, com Os Assassinos, ao lado de Burt Lancaster, produzido em 1946. Mas foi em meio às filmagens dos maiores sucessos, entre eles As Neves do Kilimanjaro (52) e Agora Brilha o Sol (52), que os fãs se deliciavam com os noticiários que envolviam sua vida amorosa.
De todos os seus maridos, o mais famoso foi Frank Sinatra, que era perdidamente apaixonado por ela. Tanto que, enquanto estiveram juntos, Sinatra chegou a abandonar a carreira de ator e cantor para estar sempre perto da atriz, de quem sentia ciúme doentio. Ava foi casada também com Mickey Rooney, de quem se divorciou em 1943; com o músico Artie Shaw, em 1945, para largá-lo no ano seguinte.
ReproduçãoAva teve um casamento conturbado com o cantor Frank Sinatra
O casamento com Sinatra - hoje octogenário e com graves problemas de saúde - foi o mais prolongado (1951 a 1957). Mas a união caracterizou-se por inúmeras separações, regadas a tapas, beijos, álcool e drogas que - soube-se depois - machucaram muito mais ele do que ela. Restou, a ambos, entretanto, uma surpreendente amizade. À medida que envelheciam, Frank e Ava falavam um do outro com crescente ternura.
Passagem pelo Brasil Não foi, absolutamente, uma mulher feliz. Ava não era mulher de um homem só. Além de seus maridos, levou à loucura dezenas de amantes que se jogaram a seus pés pelo mundo afora - inclusive um gaúcho, que chegou a abandonar a família por sua causa. Certamente já deveria ser assim desde a mais tenra idade, pois seu contrato com a Metro, assinado em 1941, obrigava-a a comportar-se como uma menina de colégio de freiras. Durante sua tumultuada visita ao Brasil, em meados dos anos 50, para promover A Condessa Descalça, namorou o cantor Carlos Augusto, um garotão cearense que, na época, pertencia ao elenco da Rádio Nacional.
A passagem de Ava pelo Rio de Janeiro começou no Hotel Glória, de onde foi convidada a sair depois de quebrar parte da mobília do quarto num acesso de raiva por não ter sido hospedada no Copacabana Palace, onde, às pressas, providenciaram-lhe uma suíte. A biógrafa Jane Wayne registrou em um livro outras das escapadas da atriz na época, que foi vista com um bracelete e de calça comprida no Plaza Argentina. Wayne conta que Ava saiu atrás de alguém numa boate com uma garrafa quebrada na mão. Supõe-se que tenha batido com o carro do namorado depois de uma grande briga. Qualquer semelhança com a nossa também bela Vera Fischer é mera coincidência...
Foi em Londres, onde morou os últimos 20 anos de sua vida, que Ava encontrou um pouco de paz. Até o dia de sua morte (ela nasceu na véspera do Natal de 1922), a atriz ainda cultivava velhos hábitos, como o copo de vinho sempre ao lado e o cãozinho Morgan. Entre seus últimos trabalhos, apenas pontas para seriados menores de televisão. Filha de um agricultor que perdeu tudo durante a Depressão, Ava era a caçula de uma família de seis irmãos e passou a infância em Grabtown, na Carolina do Norte, trabalhando numa plantação de tabaco. Uma tristeza: a perda de um filho que esperava de Sinatra durante as filmagens de Mogambo, o que lamentou para o resto da vida. Com o mesmo filme obteve a única indicação para o Oscar, que perdeu para Audrey Hepburn, estrela do filme A Princesa e o Plebeu.





