Depois de uma auspiciosa carreira como produtor, dedicada a dar suporte a alguns dos novos e promissores jovens talentos mexicanos (Guilhermo del Toro e Antonio Urrutia, entre outros), o diretor Alejandro Springal deu um tempo para si e decidiu ele mesmo debutar atrás das câmeras. O resultado não poderia ser melhor para um estreante - e isto é um elogio. Com a cumplicidade de um bom roteiro (Maria Amparo Escandon), contando com um elenco dinâmico liderado pelo charme determinado de Dolores Heredia e uma equipe de produção atenta a todos os detalhes, Springall realizou ‘‘Santitos’’ (veja a programação de cinema na página 5), uma comédia-romance inteligente.
Um filme sobre o sentido da perda, e também sobre a devoção que disfarça o desespero. Nesta extravagante e sofisticada mistura de romantismo e realismo mágico, Esperanza Diaz (Heredia) é uma bela viúva recentemetne confrontada com a morte de sua única filha. Produto melodramático de uma cultura saturada pelo estilo telenovelesco, temperado por uma fé que não tira os antolhos, Esperanza tenta superar o sofrimento com a superstição, estoicamtne esperando um sinal qualquer para recusar a realidade da perda da garota. E em sua resplandescente imaginação, o santo favorito aparece inesperadamente na janelinha do fogão. Interpretando as instruções do ‘‘santito’’, Esperanza inicia uma apaixonada odisséia que a levará por lugares insólitos, incluindo um flamejante bordel de fronteira.
A partir daí, o espectador se delicia diante de uma love story e de uma singular composição entre fé e destino. ‘‘Santitos’’, que representou o México no ultimo Festival de Gramado, pode ser visto ainda como uma hábil paródia sobre os excessos dramáticos e a superstição naif na cultura latina. O que emerge afinal é uma inspirada colisão entre o místico e o mundano. (CELJ)

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