O misterioso Brennand
Um universo que fala por meio de esculturas. Num trecho preservado de Mata Atlântica, bairro da Várzea (zona oeste do Recife), um antigo engenho de açúcar é hoje a casa de animais exóticos, frutos, fragmentos do corpo humano, grandes cabeças. Ora criaturas estranhas, ora trágicas ou mitológicas. Surge, então, Adão e Eva, num canto de um pátio, sensualidade ''à flor da arte'', o começo do mundo criado pelo artista.
Bem-vindo ao Museu/Oficina Francisco Brennand, ateliê, templo e indústria do pernambucano de nome francês, mas de origem inglesa referência no Brasil e no exterior quando o assunto é artes plásticas contemporâneas. Educado na Europa, influenciado por Picasso, Miró e Léger, já expôs em bienais pelo planeta, tem murais e tapetes cerâmicos em Miami, NY, Salvador, São Paulo... Impossível ver a obra e não reconhecer sua marca.
Já foi aplaudido, já foi chamado de profano, pornográfico. Causou polêmica com um projeto para o Porto do Recife, local conhecido por Marco Zero. Modificado e aprovado, está lá desde o fim de 2000 em celebração aos 500 anos do Descobrimento o Parque de Esculturas, cuja peça principal é a Coluna de Cristal, de 32 metros. Fálica? Que nada. Para Brennand, representa um foguete.
Entre outros trabalhos do mestre estão O Ovo e a Serpente, Dante, Joana D'Arc, Inês de Castro muitos vistos em seu ateliê. Uma de suas esculturas não sai por menos de R$ 10 mil. ''Tão importante que sozinho (Brennand) proclama a universalidade da arte brasileira'', definiu o escritor Jorge Amado.
Quer mais motivos para visitá-lo? Além da misteriosa beleza do lugar são 10 mil metros quadrados de área às margens do Rio Capibaribe , é quase certo que o próprio Brennand esteja lá, perambulando entre as amplas salas repletas de peças, nos jardins projetados por Burle Marx, no terraço de esculturas ou perto dos espelhos d'água.





