Londrina recebeu ontem a visita de Pierre Weil, 77 anos, presidente da Fundação Cidade da Paz e Reitor da UNIPAZ (Universidade Holística Internacional de Brasília), onde trabalha pela paz no mundo. Pierre Weil proferiu palestra sobre o tema ‘‘Educação para a Paz’’, no evento integrante dos Projetos de Maio, do Festival Internacional de Londrina- FILO. Entre outros títulos, possui doutorado em Psicologia pela Universidade de Paris, mas de acordo com suas palavras, se descobriu ‘‘doutor em energia psíquica’’.
Autor de mais de 30 livros em português, em Londrina ele se fez conhecido no meio acadêmico graças ao livro ‘‘O Corpo Fala’’ (20ª edição), leitura obrigatória nos bancos do curso de Comunicação Social. Para a platéia formada por professores, Pierre Weil afirmou que a transformação para uma cultura da paz depende fundamentalmente de que a educação seja direcionada para esse caminho.
‘‘O ensino atinge o conhecimento, modificando as opiniões’’, defende Weil. Ele acredita que a transformação do espírito erigido nos baluartes da paz faz parte de um processo educacional abrangente, atingindo o caráter, as emoções, os sentimentos. No livro ‘‘A Arte de Viver em Paz’’, publicado pela Unesco e traduzido para o português e editado em seis línguas, segue um processo de conscientização em que é defendida a ecologia em nível pessoal, social e planetária. O próximo lançamento do autor será a ‘‘Arte de Viver a Vida’’, pela editora Letra Viva. Outro livro de sua autoria, ‘‘O Fim da Guerra dos Sexos’’, está no prelo para posterior lançamento.
Na palestra, ele ressaltou o status que a violência ganha a cada dia, tamanha a qualidade que adquire, citando o exemplo do indivíduo que entrou num cinema em São Paulo e metralhou a platéia. A indignação, nesse caso, foi apenas momentânea. Daí a necessidade de uma educação para a paz. ‘‘A humanidade vive a cultura de guerra. Não há dinheiro para a paz, há dinheiro para a guerra. Um tanque de guerra equivale ao preço de dois hospitais’’, afirma.
Mas para que se inverta esse paradigma se faz necessária uma metodologia de educação para despertar a paz. ‘‘O prazer está dentro de nós e, erroneamente, achamos que está no outro. Com isso vem o apego, o medo, o estresse, a doença e o sofrimento’’, avalia.
Para reverter a situação o importante é sensibilizar educadores. Algumas escolas no Brasil inseriram curricularmente o tema paz. Dentre as instituições, constam as Escolas das Nações, dirigida pela Fé Bahai, Escolas Associadas da Unesco e algumas sob a manutenção do Rotary Club. Essas escolas trabalham o conceito de paz nos níveis fundamental e médio.
Na concepção de Weil, o Brasil possui uma cultura de paz para exportar. O Brasil, por exemplo, nunca declarou guerra. A desigualdade social, segundo o professor, grassa em função de sistemas econômicos importados da Europa e América, onde as pessoas são extremamente competitivas. ‘‘O brasileiro é solidário. O país é violentado por importação de tráfico de drogas e armas’’.
A palavra paz quando é pronunciada está associada com a paz internacional. A noção de que seja um processo que se inicia interiormente não entrou na mentalidade das pessoas.