O Menino da Porteira, um dos personagens mais famosos da história do cinema nacional, volta a esperar uma nova comitiva de público, depois de 31 anos do estouro do filme, que levou mais de 4 milhões de pessoas às salas de exibição para assistir ao romance, inspirado num clássico da música sertaneja.
Há muito tempo que a poeira levantada por filmes sertanejos, como ''Menino da Porteira'', ''Mágoa de Boiadeira'' e ''Chumbo Quente'' tinha baixado. Porém, desde que a dupla Zezé Di Camargo e Luciano retomou o gênero em ''2 Filhos de Francisco'', que o diretor e um dos roteiristas do remake, Jeremias Moreira, e o produtor Moracy do Val resolveram refilmar o clássico, apostando no sucesso da produção.
A dupla foi responsável pela primeira versão do filme e dos outros sucessos do cinema sertanejo dos anos 70.
Comandando a boiada na refilmagem, o cantor Daniel, no papel do peão Diogo, que na primeira versão foi interpretado por Sérgio Reis.
O elenco ainda tem a atriz Vanessa Giacomo, como Juliana, par romântico do ídolo sertanejo, e o ator José de Abreu encarnando o tinhoso fazendeiro, Major Batista, que anteriormente foi o personagem de Jofre Soares.
Além da experiência de Abreu, com mais de 20 filmes, minisséries e uma dezena de novelas no currículo, e de Vanessa, que foi revelada na novela rural ''Cabocla'', da Rede Globo, o remake sertanejo apresenta o ator mirim estreante, João Pedro Carvalho, oito anos, de São Paulo.
Com produção da Jerê Filmes e distribuição pela Sony Pictures, ''O Menino da Porteira'', orçado em cerca de R$ 6 milhões, começou a rodar as primeiras cenas na semana passada, em Brotas, interior de São Paulo, cidade do cantor Daniel. O roteiro de filmagens, que deve durar no máximo nove semanas - se o tempo ajudar - inclui ainda cenas em Paulínia (SP), onde será reproduzida a rua de uma colônia antiga de fazenda dos anos 50, período em que se passa a história.
A história do peão Diogo, que toda vez que viajava a Ouro Fino encontrava o garoto Rodrigo numa porteira, mas que em suas idas e vindas, teve que enfrentar a ganância do Major Batista, o que culminou com a morte trágica do menino, é um perfeito cavalo puro sangue para o cantor Daniel montar, arreado pela pinta de bom moço.
''O Daniel foi a nossa primeira escolha. Ao apresentarmos o projeto ao cantor, em dezembro de 2006, ele ficou comovido, abraçando a proposta. Daniel é bastante dedicado e se preparou para o papel. Apesar de montar bem a cavalo, se dispôs a fazer aulas de equitação e até perdeu peso, com horas de academia, para viver o papel de Diogo'', conta Val, acrescentando que o cantor não assistiu à primeira versão do filme para não vestir o chapéu da interpretação anterior de Sérgio Reis.
O rosto trigueiro do personagem clássico conquistou tanto o público, na primeira versão, que até álbum de figurinhas foi lançado, na época, com cenas do filme.
Val, que fez o longa-metragem ''O Martelo de Vulcano'', com a turma do ''Castelo Ra-Tim-Bum'', e que, nos anos 90, trabalhou na TV, escrevendo e dirigindo a minissérie ''Colônia Cecília'', na Bandeirantes e a novela ''Brasileiros e Brasileiras'', no SBT, e atuando como diretor geral do Telecurso 2000, da Fundação Roberto Marinho, conta que o roteiro recebeu um olhar contemporâneo, esperando alcançar a dianteira ou emparelhar à bilheteria de ''2 Filhos de Francisco''.
Toda a estória ainda será ambientada pela direção musical de Nelson Ayres, compositor, maestro e arranjador internacionalmente reconhecido, que participou das trilhas de ''Dois Córregos'', juntamente com Ivan Lins, e ''Falsa Loura'', que está sendo lançado.
A direção de fotografia é de Pedro Farkas, de ''Não Por Acaso'', ''A Marvada Carne'', ''Zuzu Angel'', entre outros filmes.
A produção quer promover uma avant premiere em novembro, quebrando a promessa da trilha
homônima do filme que diz que ''nesse pedacinho de chão, berrante eu não toco mais'', já que tentará refazer o caminho de sucesso, que provocou um verdadeiro ''estouro de boiada'' entre o público na primeira versão do filme.

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