Organizado em 130 cidades, de nove países, o Grito Rock se autodenomina ''O maior festival integrado das Américas''. No Brasil, praticamente todos os estados já realizam o evento, que neste ano chega à nona edição. Agora é a vez de Curitiba entrar nessa rota, com duas noites de shows no bar Atacama (em Londrina, a maratona começou ontem).
Seis bandas locais e três de outros estados, selecionadas a partir de um edital, revezam-se no palco entre hoje e amanhã. Match, Humanish, Locomotiva Duben, Música de Ruiz, Lemoskine e Universo em Verso Livre são as atrações ''da casa''. Macaco Bong (MT), Joseph Tourton (PE) e Letuce (RJ) completam a escalação.
Badalado há alguns anos no circuito independente, o trio Macaco Bong é o grande destaque do festival, com seu rock instrumental e psicodélico. Mas se há um ''segredo bem guardado'' na programação, este é o Letuce. Um dos nomes mais promissores do pop brasileiro (ainda que pouco conhecido), o duo mostra, pela primeira vez na cidade, o repertório de seus dois registros oficiais.
Trata-se, na verdade, de uma ''banda de casal'', formada pelo multiinstrumentista Lucas Neves e a cantora Letícia Novaes (que mantém uma carreira paralela como atriz e comediante). Juntos, eles escrevem canções que combinam letras românticas e leves com arranjos que passeiam por vários gêneros (samba, rock, funk, folk, bossa nova, jazz).
Em 2009, lançaram o álbum ''Plano de Fuga pra Cima dos Outros e de Mim'', que trazia candadidatas a hits como ''De Mão Dada'', ''Balé da Centopeia'' e ''Potência'' (esta com direito a clipe na MTV). No ano passado, gravaram o EP ''Couves'', com versões para temas de Sade, Des'ree e, para horror dos elitistas, Raça Negra e Só Pra Contrariar.
''Quem consegue se livrar do preconceito vai descobrir melodias e letras lindas no meio das músicas de pagode, sertanejo, etc.'', diz Letícia, em entrevista para a reportagem da FOLHA. ''Pena que ainda tem muita gente que não se permite ter esse momento. Seja porque tem medo de parecer esquisito, seja porque o tópico do dia do Twitter não é esse'', completa.
Segura e bem-humorada no palco, a cantora destoa dos outros artistas da geração atual - marcada, com raras exceções, pela timidez. ''Faço stand up comedy há muitos anos e estou acostumada a me apresentar para gente bêbada. Eu simplesmente não consigo fazer cara de diva, de cool, de misteriosa'', brinca.
Essa despretensão também pauta os passos, digamos, estratégicos da dupla, que garante não ter pressa de ser reconhecida. ''A música é uma das coisas mais importantes da minha vida, mas não é tudo. Não vou fazer nada de maneira forçada. Aliás, tenho um pé atrás com quem pipoca de uma hora para outra'', afirma.
De qualquer forma, o segundo álbum do Letuce está previsto para sair neste ano. E, se tudo der certo, inclusive com uma tiragem em vinil. O show desta noite, portanto, é uma ótima oportunidade para conhecer uma banda em ponto de bala, pronta para conquistar o cenário nacional - mas pelas beiradas, como diz a letra de ''De Mão Dada'' (''Eu te demoro porque eu quero / Não tenho do que eu espero'').
SERVIÇO
Grito Rock de Curitiba Quando - Hoje (Letuce, Locomotiva Duben, Música de Ruiz, Universo em Verso Livre, Joseph Tourton) e amanhã (Humanish, Match, Lemoskine, Macaco Bong), a partir das 22h Onde - Atacama (Av. Jaime Reis, 238) Quanto - R$ 10 Mais informações - (41) 3049-1939

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