Provavelmente você nunca ouviu falar de Salomão Habib ou Fabrício Mattos. Então, também não sabe que eles fazem um show hoje em Apucarana, amanhã em Maringá e sexta-feira em Paranavaí, e que isso é um acontecimento e tanto. Primeiro porque reúne dois grandes violonistas brasileiros que nunca tocaram juntos antes. Segundo porque no show eles mostram compositores das regiões Sul (Fabrício é paranaense) e Norte (Salomão é paraense). Só esses dois argumentos já deveriam ser suficientes para lotar as salas de espetáculos. Mas tem mais: as apresentações são gratuitas.
Antes de dizer ''não vou porque não conheço'', saiba que os shows fazem parte do Sonora Brasil, um projeto do Sesc que visa justamente proporcionar à população a oportunidade de conhecer boa música. Dividido em quatro etapas, o Sonora convida dois instrumentistas em cada fase para percorrer o Brasil. Em sua 12 edição, o projeto tem como tema ''Violão Brasileiro'', trazendo um panorama do que foi produzido nas últimas décadas no País. Ao todo, devem ser realizados este ano 331 concertos.
Também não é preciso ter medo de ir e não entender nada. Para Fabrício, tudo é uma questão de contato. ''Depois do show em Ponta Grossa, veio gente dizer que nunca tinha ouvido música contemporânea e achou extraordinário. É claro que ter conhecimento técnico ajuda, mas não é uma premissa'', ameniza, lembrando que proporcionar esse contato é justamente o objetivo do projeto. ''É uma questão de a pessoa ir com a cabeça aberta e o músico ter capacidade de instruir. É um jogo para os dois lados. Se um não cumpre sua parte, não há um bom entendimento'', analisa.
Cada um dos músicos vai tocar músicas de sua região de origem. Assim, o repertório de Salomão Habib é centrado em compositores da região da Amazônia, como Cláudio Santoro, além de músicas próprias. Já Fabrício Mattos vai mostrar compositores da região Sul, como Waltel Branco, Jaime Zenamon, Edino Krieger, Esther Scliar, Bruno Kiefer e Cláudio Menandro. Os dois também tocam em dupla algumas composições, unindo as duas pontas do País em uma só melodia.
O projeto é uma boa oportunidade para os músicos participantes enriquecerem seu próprio trabalho. Fabrício e Salomão não se conheciam pessoalmente até serem convidados pelo Sesc. ''Está sendo uma experiência muito rica, porque o Norte do país toca o violão de um jeito completamente diferente do Sul. Além disso, Salomão é um grande compositor. É cansativo, mas o próprio projeto nos dá força para continuar, a experiência compensa'', comenta Fabrício, que já havia feito uma turnê nacional em 2007, para lançar seu CD EspaÀa, com 15 concertos em dez Estados. Desta vez, porém, serão 80 shows em praticamente todos os estados brasileiros.
Fabrício trancou seu mestrado em Londres por um ano para poder participar do Sonora Brasil. ''Tenho uma bolsa parcial na Royal Academy of Music, e eles não costumam permitir essa pausa. Mas entenderam a minha situação e a relevância do projeto'', explica. Nascido em Curitiba e filho de músicos, Fabrício teve seu primeiro contato com a música aos quatro anos. ''Eu lia música antes de ler textos'', diverte-se. Aprendeu primeiro flauta e violino para depois se render ao violão, aos 13 anos.
Concertista desde os 16 anos, já realizou recitais solo no Brasil e em países como Áustria, Espanha, Itália, França, Inglaterra, Bélgica e Polônia. Com apenas 25 anos, Fabrício já foi premiado em vários concursos nacionais e internacionais de música, como Ivor Mairants Guitar Award, Picker Trust Award e o conceituado Alexander Tansman Competition of Musical Personalities.
Depois da turnê, ele pretende gravar já em janeiro um disco com obras de compositores brasileiros vivos, como Mário Ferraro, Harry Crowl e o atual parceiro Salomão Habib, entre outros.

Serviço
- Sonora Brasil - Violão Brasileiro
- 09/09 em Apucarana. Informações: (43) 3422-1323
- 10/09 em Maringá. Informações (44) 3262-3232
- 11/09 em Paranavaí. Informações (44) 3423-3132

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