Um palco, uma cadeira e um microfone bastam para o humorista Ary Toledo arrancar 90 minutos ininterruptos de gargalhadas da platéia. Mestre das piadas de salão, ele se apresenta hoje e amanhã, às 21 horas, no Cine Teatro Ouro Verde, em Londrina, com o espetáculo ''Fábrica de Risos''.
A promoção é da Folha de Londrina. No arsenal de gracejos, sobra para todo mundo: gordo, magro, judeu, turco, espanhol, português, japonês, brasileiro, gay, sogra, político e personalidades do show bizz. Os assuntos variam da infidelidade à religião, do futebol às situações do cotidiano.
O show, que cataloga cerca de 160 piadas, é uma reunião de seus 6 espetáculos anteriores. Estreou há quatro anos no Japão. Em cada cidade, recebe novas anedotas, algumas relacionadas aos costumes locais. Com quatro décadas de carreira nas costas, Ary figura na galeria dos monstros sagrados do humor brasileiro ao lado de Chico Anísio, Dercy Gonçalves e Jô Soares.
O talento para fazer rir já rendeu mais de 30 discos e uma dezena de livros publicados. Ficou 15 anos no ar com um disk piada sem repetir nenhuma. Chegou a receber 30.000 chamadas em um único dia. O serviço só acabou por causa do fim do 0900. No ano passado, o comediante virou personagem de quadrinhos das revistas ''Ary Toledo Sem Censura'' e ''Almanaque do Ary Toledo'', que trazem suas piadas em cartuns desenhados por Paulo Paiva e Wanderfel.
Agora, ele reivindica um posto no Guiness Book como o maior colecionador de piadas do mundo com mais de 65.000 números guardados em seu repertório. Tanta graça livrou sua cara algumas vezes durante a ditadura militar. Quando foi decretado o AI-5, ele sapecou no palco: ''quem tem cão caça com gato, e quem não tem cão caça com Ato''. Acabou detido pelas autoridades, mas solto logo depois, pois os censores eram fãs do ''subversivo''.
A paixão pelo ofício começou na infância, aos 9 anos de idade, quando guardava revistas, livros, jornais e todo tipo de publicação que trazia algo a respeito do assunto. O dom foi descoberto na escola, onde seu passatempo era contar piadas para colegas de classe e professores. No palco, deu seus primeiros passos no teatro amador de São Paulo. Depois atuou no Teatro de Arena, participando de um dos momentos teatrais mais efervescentes do País.
Paralelamente, enveredou pela televisão fazendo pontas em ''Vigilante Rodoviário'', primeiro seriado nacional de sucesso, exibido em 1961 pela TV Tupi. Mais tarde, já na TV Record, integrou o elenco do programa de humor ''Ceará Contra 007'' ao lado de Jô Soares, Ronald Golias, Adoniran Barbosa e Cidinha Campos. O programa era uma paródia de ''O Direito de Nascer'', a primeira grande novela da TV brasileira.
Durante as transmissões - naquele tempo tudo era ao vivo - Ary interpretava algumas músicas. Ao vê-lo no palco, a cantora Elis Regina ficou encantada com sua voz e o convidou para participar do programa ''O Fino da Bossa'', que ela apresentava na emissora ao lado de Jair Rodrigues. Ary escolheu cantar a triste ''Pau de Arara'', de Vinícius de Morais e Carlos Lira, que narra a sofrida saga dos nordestinos na cidade grande.
Mesmo interpretando versos amargos, sua performance levou o público às risadas. Ao final do programa, Vinícius de Moraes procurou o artista para insistir que seu negócio mesmo era o humor. O mesmo ocorreria durante sua passagem pelo teatro ''sério'', quando ganhou um papel importante na peça ''Eles Não Usam Black Tie'', drama social escrito por Gianfrancesco Guarnieri.
Seu personagem era ''Jesuíno'', um operário fura-greve, que de engraçado não tinha nada. Mas bastava Ary entrar em cena para o público rir de sua interpretação, o que o ajudou a bandear-se para a comédia. Daí em diante, dedicou-se exclusivamente ao gênero, animando platéias de norte a sul do país com seu estoque interminável de piadas.
Serviço:
Hoje e amanhã: Espetáculo ''Fábrica de Risos''. Com Ary Toledo. Local: Cine Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85). Horário: 21 horas. Ingressos: R$ 20,00 (inteira), R$ 15,00 (com bônus da Folha de Londrina) e R$ 10,00 (estudantes). Ponto de venda: bilheteria do teatro.

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