O matador de morcegos
O título, curto, sonoro e intrigante, até que tem imaginação: Bats, ou morcegos (veja a programação de cinema na página 5). A história é que escorrega e resvala para o lugar comum. Quem buscar horror de primeira, com as credenciais cult do gênero - arrepios intercalados por doses estratégicas de humor - sai decepcionado. Entretenimento apenas rotineiro, no entanto, é possível até descobrir.
O desconhecido Louis Momeau dirige esta trama de suspense com tempero de ficção científica e toques de horror. E de volta a uma pequena e desértica cidade do sul dos Estados Unidos, no caso a texana Gallup. O xerife Emmett Kimsey (Lou Diamond Philips) investiga a morte violenta de dois jovens, mutilados por mordidas de objetos voadores mais ou menos identificados como morcegos. O xerife e sua acompanhante, a zoóloga Sheila (a bela Dina Meyr, de Tropas Estelares) descobrem que um cientista malvado andou fazendo as vezes de Deus em seu laboratório, infectando as criaturas da noite com um vírus que alterou o código genético dos infelizes mamíferos quirópteros. Para complicar ainda mais a reputação lendária, os vampiros agora estão viciados e só se alimentam com overdose de sangue humano, além de infectar outros da espécie. O terror se espalha em Gallup. Conseguirão o destemido xerife e sua fiel escudeira deter esta escalada de morte e destruir a ameaça antes que a força aérea entre em ação e arrase a cidade? Bem, se você nunca viu um filme em sua vida então esta dúvida vai lhe tirar o sono.
Alguns grandes filmes sobre quando os animais atacam são óbvios
hors-concours. Tubarão e Os Pássaros, entre alguns poucos e raros. E há os demais, a periferia, o restante. Filmes como Piranhas e Formigas, entre muitos e vulgares na tradição da sempre hilária série B hollywoodiana. Ao lado dos expoentes, estes filmes sobreviveram ao tempo por uma única razão: jamais se levaram demasiado a sério, riram de si mesmos. E foram assustadores à sua maneira tosca, ingênua, quase primitiva. Bats não consegue nem construir um suspense modesto, ser engraçado ou fazer rir. Já nas mãos de Ed Wood...(C.E.L.J.)





