Um projeto do Banco Real possibilitou a construção, em São Paulo, do mais moderno teatro do País, o Alfa Real. Em Curitiba, artistas e produtores culturais aguardam otimistas a sanção da nova lei de incentivo à cultura. E existe ainda a possibilidade da existência de uma lei estadual. Enquanto isso, o Festival de Teatro de Curitiba se beneficia da Lei Rouanet, de âmbito nacional.
Em Londrina, algumas empresas têm a prática de patrocinar a cultura. Não nas mesmas proporções do Alfa Real, mas também com destaque. É o caso da Cacique Café Solúvel, que há 10 anos apóia o Festival Internacional de Teatro.
O objetivo, segundo Paulo Ribeiro, assessor de imprensa da empresa, é incrementar a cultura. A idéia surgiu quando a Cacique identificou a necessidade de oferecer um retorno à comunidade e ter um lastro de simpatia junto à população de Londrina e região.
A escolha por patrocinar o Festival de Teatro foi determinada pelo fato de o evento agregar vários grupos. ‘‘Desta forma atenderíamos a região de Londrina’’, explica Paulo Ribeiro. Segundo ele, a Cacique dá apoio financeiro e estratégico, participa das discussões do material de marketing e até da escolha de grupos que irão participar do Festival.
Mas Paulo Ribeiro afirma que, para a empresa, o importante é participar da comunidade. ‘‘O teatro produz debates, é a expressão mais crítica da realidade e não tem caráter industrial’’, diz.
Segundo ele, a prática de empresas patrocinarem eventos culturais por um tempo prolongado e sem interrupção, como é o caso da Cacique, não é comum.‘‘Em termos de Brasil ainda há resistência das empresas em patrocinar a cultura, no País é mais comum nas cidades de médio porte uma empresa patrocinar eventos, mas não de forma contínua como a Cacique, ou megaempresas que patrocinam eventos isoladamente’’, afirma.
A Caixa Econômica Federal também tem a prática de patrocinar a cultura. A nível nacional, faz marketing desportivo e cultural desde 1994. Em Londrina e Curitiba o banco tem espaço cultural. Vários grupos de teatro já foram patrocinados através da Associação de Funcionários da CEF.
Atualmente apenas o Grupo Caixa, de Curitiba, é patrocinado através da Associação de Funcionários da Caixa. Para este ano, a CEF irá patrocinar em Londrina, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, parte da remontagem ‘‘Abajur Lilás’’, do grupo Boca de Baco, o lançamento de um livro, a 5ª Mostra de Artes Plásticas e o Balé de Londrina.
Segundo Silvia França, assistente de marketing da CEF, anualmente, 242 mil pessoas assistem a espetáculos patrocinados pela Caixa. ‘‘A importância deste tipo de patrocínio está em ajudar a promover o bem-estar da comunidade e nada melhor do que tornar a cultura acessível para a população’’, argumenta.
A gerente de marketing explica que também há o retorno financeiro para a CEF.
‘‘Para a Caixa para cada R$ 1,00 investindo há um retorno de R$ 25,00 em mídia, além de maior integração com a comunidade e com o público formador de opinião’’. Outros bancos como o HSBC Bamerindus, Banestado, além da Sercomtel S/A também patrocinam eventos culturais em Londrina.
O diretor de marketing e serviço da Sercomtel S/A, Walter Campanelli Jr., conta que há muitos anos a empresa pratica o marketing cultural, esportivo e social. ‘‘Tentamos estar presentes em tudo que acontece em Londrina, porque somos uma empresa londrinense’’, diz. ‘‘Temos o dever de apoiar ações que possibilitem o crescimento da cidade’’.
Dentro desta filosofia, a verba publicitária da Sercomtel S/A é utilizada para patrocinar desde as camisetas de uma escola para o desfile de 7 de setembro até concertos. Em contrapartida, a empresa tem sua imagem fixada junto à comunidade e cria laços de afetividade com o cliente, de acordo com Campanelli Jr. ‘‘Isto vai nos ajudar muito, por exemplo, quando houver a abertura de mercado e chegarem os concorrentes’’, avalia.
A empresa só tem a ganhar com o patrocínio de eventos culturais, sociais e esportivos. Mas, segundo Campanelli Jr. o Brasil ainda não tem a prática do marketing de patrocínio. ‘‘As empresas não buscam nem conhecer as políticas de incentivo, de benefícios fiscais’’, afirma. ‘‘Falta mais profissionalização do setor de comunicação destas empresas, que acabam se comunicando com o seu público só através dos veículos tradicionais de comunicação, por acreditarem que este tipo de marketing só acarreta despesas’’.

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