O Carnaval é um dos empreendimentos mais rentáveis do Rio de Janeiro. No ano passado, somente de Imposto Sobre Serviços (ISS) nos dois dias de desfile no Sambódromo, a Prefeitura do Rio recolheu R$ 1 milhão. A cifra fica quase insignificante, se comparada à movimentação financeira do desfile: R$ 40 milhões em venda de ingressos, cotas de patrocínio, direitos e cotas de transmissão pela TV, comércio de alimentos e bebidas.
A Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), que organiza o desfile das 18 escolas do Grupo Especial, estima uma receita de quase R$ 18 milhões. Somente em venda de ingressos, foram arrecadados R$ 11 milhões. A entidade fechou contrato com nove empresas, entre fornecedores e prestadores de serviços.
A rede de lanchonete Bob’s, uma das empresas contratadas, recrutou 200 funcionários temporários apenas para o serviço na passarela, que reuniu ainda mais 790 empregados fixos da empresa. A empresa de limpeza Sanitas mobilizou um pelotão de 500 prestadores de serviço para a passarela.
Nos hotéis que ocupam a orla marítima, do Leme à Barra da Tijuca, a lotação para o Carnaval esteve esgotada. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, as 15 mil vagas das zona sul da cidade foram ocupadas durante os quatro dias da festa. A diária média de cada quarto, ainda segundo a entidade, foi de R$ 120, o que representa faturamento bruto de R$ 1,8 milhão por dia. Nos hotéis do Centro, a ocupação girou em torno de 60%.
‘‘O Reveillon e o Carnaval são a nossa estação pico de movimento’’, comemora o presidente da ABIH, Álvaro Bezerra de Mello, um dos proprietários da rede de hotéis Othon. Segundo ele, 38% do total de turistas que invadiram a cidade nesta época vieram de São Paulo (capital e interior).
Mas se os reflexos do carnaval são evidentes na movimentação da rede hoteleira, o mesmo não ocorreu com o comércio. ‘‘O Carnaval hoje só rende mesmo para quem tem negócios no Sambódromo’’, lamenta o presidente do Clube dos Diretores Lojistas, Silvio Cunha. Segundo ele, o comércio vai amargar, este mês, a entressafra do fim de ano. ‘‘As pessoas exageram nas compras de Natal e depois apenas pagam as dívidas’’, comenta, lembrando que ano passado as vendas de Natal alcançaram 4,4% a mais do que o registrado em 95.

mockup