Paulo Reis, curador adjunto do projeto Rumos Visuais, está otimista com a produção dos artistas da região Sul. Prazo para inscrições de obras termina hoje
Em sua segunda edição, o projeto Rumos Visuais do Instituto Cultural Itaú, vem mapeando cada região do país com o objetivo de diagnosticar e fomentar a produção visual contemporânea, incentivando novos artistas e novos curadores por meio de exposições, workshops e concessão de bolsas de estudo e/ou ateliê-residência, no Brasil e no exterior. Além disto, publicações de livros, palestras, ações educacionais e um site recém-inaugurado (www.itaucultural.org.br) ampliam a extensão do projeto, que encerra hoje o prazo para receber os portifólios dos artistas. No Paraná, o endereço para o envio do material é Fundação Cultural de Curitiba, Pça. Garibaldi,7, CEP 80410-250, Curitiba - PR. Informações pelo telefone (41) 322-1525.
Destacado para coordenar o mapeamento dos artistas da região Sul, o curador adjunto do projeto Rumos Visuais e professor do Departamento de Artes da Universidade Federal do Paraná, Paulo Reis, de Curitiba, fala à Folha 2 sobre o projeto.
O que é o projeto Rumos Visuais?
O Projeto Rumos Visuais 2 é um mapeamento da produção de artes visuais nascida nos anos 90 no Brasil. Nesta segunda etapa do Rumos Visuais a curadoria é formada por várias pessoas e foram acrescentados alguns ajustes operacionais. A idéia é pensar a produção artística brasileira fora dos grandes centros culturais e de poder do Brasil – Rio de Janeiro e São Paulo – e também fora das capitais dos estados, ampliando seu rastreamento às cidades do interior destes estados, procurando mapear uma produção plástica ainda sem muita visibilidade no circuito das artes.
Como se desenvolve esse trabalho que você está realizando para o Instituto Cultural Itaú?
O projeto Rumos Visuais está dividido entre nove curadores adjuntos e quatro curadores coordenadores. Cada curador adjunto fica responsável por uma região brasileira (o Brasil foi dividido em nove regiões distintas). E os curadores coordenadores ficam responsáveis pela orientação dos adjuntos e seleção de artistas de duas ou mais regiões brasileiras. No meu caso, venho desenvolvendo visitas a ateliês de artistas, visando um conhecimento mais pontuado e aprofundado de sua poética. Entende-se que um trabalho de curadoria deva ter como norte, não uma simples seleção de artistas via portifólio, mas um adensamento desta relação com o artista através de um contato mais direto, de muita conversa e troca de idéias.
E quem não foi visitado, não pode entrar no Rumos?
Pode sim. Trabalhamos com limites sempre, sejam limites de tempo ou disponibilidade e nunca poderíamos visitar todos os artistas. Então os artistas não visitados podem mandar seus portifólios (os visitados também mandam) para serem analisados juntamente com os outros.
O que já foi feito até agora? O que falta realizar ainda?
Conversei com aproximadamente 120 artistas. Visitei muitos artistas aqui em Curitiba e, no interior do Paraná, conheci artistas em Londrina e Ponta Grossa. Em Santa Catarina visitei artistas em Florianópolis, Criciúma e Joinville. E finalmente no Rio Grande do Sul visitei artistas em Porto Alegre, Pelotas, Rio Grande e Caxias do Sul. Para se ter uma noção, meu primeiro encontro foi com um artista de Curitiba, no dia 1º de março. E no dia 29 de abril, cheguei a Curitiba, depois de muitos encontros com artistas no Rio Grande do Sul.
Quais os próximos passos do projeto como um todo?
O prazo para inscrições termina hoje. Agora começo a fazer a seleção dos artistas da região Sul (todos os portifólios da região estarão em Curitiba) e devo terminar esta seleção até o dia 24. Nos dias 25 e 26 de maio o curador coordenador da região, Jailton Moreira, estará em Curitiba e faremos juntos uma segunda seleção dos artistas. Os portifólios selecionados nesta segunda seleção vão para São Paulo, onde a comissão formada pelos quatro curadores coordenadores fará a terceira seleção de onde sairão os 60 artistas (número fechado pelo Itaú), que comporão as exposições todas que percorrerão o Brasil no ano de 2002.
Há algum traço identificador nas obras vistas? Alguma característica regional?
Acho que não existem traços unificadores, mas preocupações e maneiras diversas de pensar este tão complexo estar no mundo. Se queremos pensar em traços unificadores, ou melhor, fluxos de preocupações, pode-se dizer que os artistas mais interessantes estão vivendo em grau máximo a contemporaneidade, a sua própria contemporaneidade. Características regionais, com certeza não vi. Mas algo que me parece interessante é que encontram-se boas produções ou poéticas artísticas em cidades que tem como fermento instituições mais fortes, sejam elas a universidade, museus de arte, galerias de arte particulares ou não e ateliês abertos de artistas. Pode-se concluir, meio rapidamente, que políticas culturais sérias fazem uma grande diferença em se tratando de criar e estabelecer meios de produção e pensamento em arte.
E quanto à qualidade do material analisado?
Fico otimista em relação a muita coisa que vi por aí. E fico mais otimista ainda em ver uma produção bem jovem, já sintonizada com o Brasil e o mundo e levada com muito profissionalismo pelos artistas.

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