Faces do
Subúrbio
estréia em
disco e Nação
Zumbi lança
primeiro
trabalho
depois da
morte do
líder Chico
Science
ReproduçãoNação Zumbi:
cinco faixas
inéditas em
disco-tributo
Nelson Sato

A morte de Chico Science abalou, mas não abafou o mangue beat. Várias das bandas reveladas em Pernambuco, desde a divulgação do movimento em 91, começam a chegar aos alto-falantes do sul do país com seus primeiros discos ou através de shows coletivos.
Mais do que um modismo de estação (que, aliás, não duraria tanto), o som das batucadas parece se estabelecer e influenciar toda a música produzida no país, apesar da ainda tímida inserção entre o grande público. Como uma espécie de tropicalismo atualizado para os anos 90, o mangue beat revigora a mesma abordagem estética ao incorporar a informação pop internacional sem deixar de abraçar ritmos regionais - com a vantagem de difundir estes em grande escala, no chamado circuito musical de mercado.
ReproduçãoPrimeiro trabalho
do grupo recifense
põe os ‘‘excluídos’’
no mangue beatImpulsionado especialmente pelo carisma e explosiva criatividade de Chico Science, a avalanche musical que toma conta de Recife e arredores tem sequência em dois lançamentos: o álbum de estréia do grupo de rap Faces do Subúrbio e o primeiro trabalho da Nação Zumbi após a morte de seu líder, ocorrida há pouco mais de um ano.
Na verdade, o disco da Nação não inaugura sua nova fase. ‘‘CSNZ’’ (Sony Music), como foi intitulado, traz apenas cinco faixas inéditas. O restante do repertório é composto por canções gravadas ao vivo durante o festival ‘‘Abril Pro Rock’’, de 96, e remixes de músicas extraídas dos dois álbuns anteriores - ‘‘Da Lama ao Caos’’ e ‘‘Afrociberdelia’’ - assinados pelos produtores Mario Caldato Jr. (colaborador dos Beastie Boys), Soul Slinger e outros.
ReproduçãoÁlbum marca
transição do
grupo criado por
Chico ScienceO CD, que é duplo, traz também uma versão da música ‘‘Samba Makossa’’, feita pelo Planet Hemp, e a faixa ‘‘Chico - Death of a Rock Star’’, gravada pelo inglês Goldie em homenagem a Science e também incluída em seu último álbum. Se vale como curiosidade (remixes) ou como registro documental (parte ao vivo), o material empolga mesmo pela inclusão das faixas inéditas, que não deixam a peteca cair com sua diversidade rítmica e climática.
ReproduçãoFaces do
Subúrbio:
hip hop
com
letras
engajadasMenos variado, o álbum ‘‘Faces do Subúrbio’’ (MZA/PolyGram) incursiona pelo hip hop raivoso repleto de scratches (ruídos obtidos pelo efeito do toque da agulha no vinil virado ao contrário) e letras discursivas que atacam as injustiças sociais. Embora uma ou outra faixa estique conexões com o sotaque local (caso da embolada que abre a faixa ‘‘Críticas e Críticas’’, com participação de Caju e Castanha) ou com outros gêneros percussivos (caso do samba invocado pelo cavaquinho de Fred Zero Quatro, do Mundo Livre S/A, em ‘‘Improviso’’), o grosso do repertório destila rap ora em colisão com guitarras pesadas ora ancorado em levadas funkeadas.
Os excluídos também gritam entre as batidas do mangue.

mockup